Reagiu ao assédio sexual e foi repreendida pela chefia. “Isto é um mundo de homens”

Mais de um em cada dez trabalhadores portugueses terão sofrido assédio sexual no local de trabalho. “Estragaram-me a vida toda”, relata uma vítima a quem o processo retirou tranquilidade ao longo de dois anos. “Devia ter-lhe dito, peço desculpa pelo incómodo, pode tirar as mãos das minhas partes íntimas?”

Me Too movement
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Christian Ender/Getty Images

A gota de água aconteceu há precisamente dois anos. O episódio que gerou a queixa de Sónia Mesquita por assédio sexual ocorreu ao fim de meses de insinuações impróprias, feitas por um colega. Trabalhavam na mesma agência bancária, em Tondela, e apesar de não ser a pessoa a quem reportava hierarquicamente, era o responsável pela aprovação de um crédito à habitação que Sónia precisava que fosse revisto depois do divórcio. Ao longo de meses, entre Janeiro e Junho de 2017, sempre que perguntava como estava a análise do seu processo, o homem dava-lhe respostas como: “Já sabes o que tens de fazer.” Um dia, quando Sónia se deslocou à zona de refeições para encher uma garrafa de água, o gerente seguiu-a, agarrou-a por trás, apalpou-a na zona genital e disse-lhe: “Tenho aqui um preservativo no bolso. Vamos lá?”