Exposição

São ilustradores portugueses, são a Prata da Casa

De 15 a 19 de Maio, o Jardim Botto Machado, em Lisboa, recebe a Prata da Casa, uma exposição de ilustradores portugueses realizada no âmbito do festival do Clube Criativos de Portugal.

Adamastor (esq.) e Vera Tavares (dir.)
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Adamastor (esq.) e Vera Tavares (dir.)

O objectivo é claro: retratar e divulgar a ilustração portuguesa de uma forma “significativa” e “abrangente”. Para isso, André da Loba seleccionou mais de uma centena de artistas para a Prata da Casa, uma exposição ao ar livre, no Jardim Botto Machado, junto ao Mercado de Santa Clara, em Lisboa, organizada no âmbito do 21.º Festival do Clube Criativos de Portugal (CCP), que se realiza de 15 a 19 de Maio.

“Existe muita gente boa e capaz, cheia de talento”, elogia o ilustrador André da Loba, que inicialmente tinha traçado o objectivo de conseguir reunir 100 ilustradores, 50 rapazes e 50 raparigas. O que acabou por não ser suficiente: a mostra vai contar com 120 artistas, 63 raparigas e 57 rapazes, de áreas que vão desde o graffiti até à tatuagem, passando pelo design gráfico.

Ao P3, o curador realça a forte presença feminina que nem sempre tem a representatividade merecida em exposições. Depois de fazer a selecção e observar o "heterogéneo", mas "muito unido", grupo da ilustração portuguesa, André confessa que ficou sem saber se a ilustração tem crescido no país ou se “sempre esteve presente, mas não tem reconhecimento”. Mais novos ou mais velhos, com maior ou menor fama, o artista não poupa elogios a todos os convidados — e olhando para o panorama editorial mundial, que o ilustrador português conhece bem, sublinha que por cá os portugueses conseguem, com “menos meios e formação” que muitos artistas internacionais, reinventar-se e “reinventar o mercado”.

As ilustrações exibidas na Prata da Casa obedecem ao tema da edição deste ano do festival CCP 2019, “Sem Medo”, que André prefere encarar como “Com Coragem”. Todos os trabalhos são a preto e branco, para que a atenção esteja nas ilustrações “por elas próprias, sem cores como enfeite”. A escolha das obras foi discutida com o curador, que teve especial cuidado em preservar a identidade do artista. “A ilustração muitas vezes é um trabalho comercial, mas cada ilustrador tem a sua ‘voz própria’. Queremos que as pessoas se sintam celebradas como são, com a voz de cada uma delas”, acrescenta André da Loba.

A Prata da Casa integra, entre outros, nomes como AKA Corleone, Alice Geirinhas, André Letria, António Jorge Gonçalves, Marta Monteiro, Mariana, a Miserável, João Fazenda ou Lara Luís. Da mostra resultou um “documento em formato livro” com todos os participantes que irá sevir como “cartão de visita”. O livro vai ser enviado para agências nacionais sócias do CCP, bem como para jornais, revistas e agências que utilizam ilustração com regularidade.

Adamastor