O grupo dos quinze, uma bola de futebol e a “família Aleixo”

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Era tradição há mais de 26 anos. Todos os domingos, pelo fim da manhã, reuniam-se no “ringue”, escondido entre as torres 1 e 2 do Aleixo, lugar onde a cidade não entra. Jogavam futebol. O “grupo dos quinze”, moradores e ex-moradores do bairro, tinha na bola um pretexto. Ali, durante aquelas manhãs, era como se tudo ainda fosse o mesmo: o bairro cheio de gente, gente cheia de vida, vida cheia de sonhos. As manhãs de Domingo eram a utopia de um mundo redondo, como a bola, girando da mesma forma para todos. As manhãs de Domingo eram resistência. Amizades que não se desfazem, cuidados que não se perdem, raízes ainda profundas. Jogou-se pela última vez no dia 5 de Maio. Tinham jogado pela primeira vez num dia 5 também, em Outubro de 1992. O grupo dos quinze não era uma equipa de futebol. Era a “família Aleixo”.

 

Nasceu com o país livre, em Abril de 74. Esvaziou-se este mês, 45 anos depois. Este é um dos retratos do Aleixo, nas palavras de quem o viveu por dentro. Os dias do fim num bairro portuense onde cidade e país se podem ver ao espelho.

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