Standard & Poor’s sobe o rating de Portugal

Nota atribuída à dívida soberana fica com a perspectiva estável. Próxima decisão acontece nas vésperas das legislativas.

Foto
Reuters/ERIC VIDAL

A agência de rating norte-americana Standard & Poor’s (S&P), uma das três grandes a nível mundial, subiu a classificação da dívida soberana portuguesa em um nível, passando-a do degrau BBB- para BBB (de forma simplificada, significa um 14 numa escala de 22 pontos).

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

A agência de rating norte-americana Standard & Poor’s (S&P), uma das três grandes a nível mundial, subiu a classificação da dívida soberana portuguesa em um nível, passando-a do degrau BBB- para BBB (de forma simplificada, significa um 14 numa escala de 22 pontos).

“Esperamos que a economia portuguesa tenha um crescimento equilibrado entre 1,5% e 1,7% durante 2019-2021”, indica a S&P no comunicado divulgado esta sexta-feira.

Com a melhoria, o rating fica com uma “perspectiva estável”. A decisão foi anunciada na noite desta sexta-feira depois do fecho dos mercados e chega um mês antes de o Governo de António Costa apresentar em Bruxelas o Programa de Estabilidade onde assumirá os compromissos da trajectória das contas públicas até 2023.

A decisão surge numa altura em que pairam sobre a zona euro, em particular sobre a Alemanha – o terceiro destino das exportações portuguesas –, receios de abrandamento económico.

O próprio gabinete do ministro das Finanças, em reacção à notícia da S&P, sublinhando as melhorias enunciadas pela agência, reconhece que há “desafios” pela frente, ao afirmar que “os resultados alcançados” na consolidação das finanças públicas “são de extrema importância dados os desafios que se antecipam para o futuro, num contexto de incerteza política e de deterioração do ambiente económico global”.

Para o gabinete de Mário Centeno, a subida do rating contribuirá para “reforçar a confiança dos investidores e a credibilidade externa de Portugal, com impacto directo nos custos de financiamento das famílias, das empresas e do Estado”.

Sobre a consolidação das contas públicas este ano, a equipa de Centeno afirma que o défice se reduzirá entre 0,2 a 0,3 pontos percentuais do Produto Interno Bruto do país, o que, diz, “dá credibilidade à trajectória orçamental futura”.

A última vez que a Standard & Poor’s subiu o rating português foi em Setembro de 2017, mas há seis meses a perspectiva passou de “estável” a “positiva”, o que deixava a porta a aberta à subida que agora se confirma. A condição, já dizia a agência na altura, seria a de que os níveis de endividamento face ao exterior continuassem a diminuir ao ritmo de então.

Ao subir para BBB, fica mais distante, mas a apenas dois degraus, do patamar de “não investimento” (vulgo “lixo” financeiro), onde permaneceu durante o período mais crítico da crise económica e financeira. Com esta nota, fica ao mesmo nível da classificação atribuída pela concorrente Fitch desde Dezembro de 2017 (actualmente sob perspectiva estável) e um ponto acima do rating dado pela Moody’s.

A próxima vez que a agência toma uma decisão sobre o rating português é a 13 de Setembro, à porta das eleições legislativas (agendadas para 6 de Outubro).

Em declarações à Lusa, o ministro das Finanças disse que o Estado poupou 1270 milhões de euros com as emissões de dívida desde Setembro de 2017.