Líbano desbloqueia impasse de meses e anuncia Governo

Nove meses depois das eleições, Saad Hariri anuncia executivo composto por 30 ministros, incluindo quatro mulheres e um elemento indicado pelo Hezbollah. Reverter a situação económica precária é prioritário.

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Saad Hariri liderava um Governo de gestão desde Maio de 2018 Reuters/MOHAMED AZAKIR

Ao fim de quase nove meses de impasse e com a economia do país em queda livre, as várias facções políticas e religiosas do Líbano chegaram a acordo para a formação de um Governo. Saad Hariri voltará a ser primeiro-ministro de um executivo composto por trinta membros, dos quais quatro são mulheres. O influente Hezbollah indicou o ministro da Saúde.

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Ao fim de quase nove meses de impasse e com a economia do país em queda livre, as várias facções políticas e religiosas do Líbano chegaram a acordo para a formação de um Governo. Saad Hariri voltará a ser primeiro-ministro de um executivo composto por trinta membros, dos quais quatro são mulheres. O influente Hezbollah indicou o ministro da Saúde.

No Líbano impera um sistema de governação complexo, guiado para o equilíbrio entre forças e movimentos religiosos e políticos, pelo que é comum assistir-se a prolongadas negociações para a formação do Governo. A Al-Jazira recorda que, aquando da sua primeira passagem pelo executivo, em 2009, Hariri precisou de cinco meses para escolher a sua equipa. Tammam Salam, o seu sucessor, demorou dez meses depois de eleito em 2013.

O partido de Hariri perdeu mais de um terço dos deputados nas eleições de Maio do ano passado, mas o primeiro-ministro – apoiado pelo Ocidente e pela Arábia Saudita – manteve-se à frente da aliança sunita no Parlamento. Foi, no entanto, obrigado a negociar com várias facções rivais para poder formar Governo.

Entre elas o Hezbollah, que cresceu nas últimas legislativas e pertence à coligação mais representada no Parlamento libanês. O grupo xiita, apoiado pelo Irão, aliado de Bashar al-Assad na Síria e considerado “organização terrorista” pelos Estados Unidos, conseguiu que um dirigente apoiado por si fosse nomeado ministro da Saúde.

Jamil Jabak não é membro do Hezbollah, é certo, mas foi escolha sua para um ministério que gere o quarto maior orçamento do Estado, segundo a Al-Jazira.

Nas pastas chave do executivo, como são as Finanças e os Negócios Estrangeiros, mantém-se Ali Hassan Khalil e Gibran Bassil, respectivamente. Entre as quatro mulheres escolhidas, destaca-se Rhea al-Hasan, que liderará o importante ministério do Interior. O ministério da Energia também será conduzido por uma mulher.

O principal e imediato desafio do novo Governo será reverter a precária situação económica do Líbano. De acordo com a BBC, a dívida do país equivale, neste momento, a 150% do seu PIB.

“Enfrentamos desafios económicos, financeiros, sociais e administrativos”, confessou o primeiro-ministro na quinta-feira. “Tem sido um período político difícil, especialmente desde as eleições, mas temos de virar a página e começar a trabalhar”.

A cadeia televisiva britânica avança que o pacote de reformas que o líder do Governo quer implementar deverá ser suportada por cerca de 9,6 mil milhões de euros, obtidos através de empréstimos internacionais 

Saad Hariri diz que “os problemas estão identificados”, tais como “as causas da corrupção, do desperdício e da administração deficitária”. Promete, por isso, “reformas ambiciosas” e “decisões difíceis” para os primeiros meses de governação, para poder reduzir as despesas do Estado. E deixa ou aviso: “A partir de agora ninguém pode voltar a esconder a cabeça na areia”.