Hariri retira pedido de demissão

Primeiro-ministro libanês diz ter recebido garantias de que o Hezbollah aceitou "dissociar-se" dos conflitos na região.

A demissão de Hariri ameaçou arrastar o Líbano para o centro da disputa entre o Irão e a Arábia Saudita
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A demissão de Hariri ameaçou arrastar o Líbano para o centro da disputa entre o Irão e a Arábia Saudita IAN LANGSDON/Reuters

O primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, anunciou nesta terça-feira que retira em definitivo o pedido de demissão que tinha apresentado há um mês – uma decisão inesperada e anunciada durante uma estadia na Arábia Saudita que pôs em risco o frágil equilíbrio político no país.

Na altura, Hariri dizia temer pela sua vida e a da sua família e acusava o movimento xiita Hezbollah – que apesar de ser seu principal rival integra o governo de unidade nacional em funções – de pôr em risco a estabilidade do país ao intervir nos conflitos regionais, ao lado do Irão. O Presidente libanês, Michel Aoun, não aceitou a demissão e, como boa parte da classe política, disse suspeitar que Hariri estava a ser coagido pelo regime saudita, envolvido numa intensa luta com Teerão pelo domínio regional.

Hariri acabou por regressar a Beirute a 22 de Novembro, após mediação do Presidente francês, Emmanuel Macron, e anunciou que suspendia a demissão para permitir negociações entre todos os partidos para pôr fim à actual crise. E ao Hezbollah exigia que abdicasse do seu envolvimento nas guerras regionais que, afirmava, estavam a pôr em perigo a ligação do Líbano aos aliados árabes.

“Todos os componentes políticos [do Governo] decidiram dissociar-se dos conflitos disputas, guerras ou assuntos internos dos países árabes irmãos, a fim de preservar as relações políticas e económicas do Líbano”, afirmou Hariri, nesta terça-feira, após presidir à primeira reunião do governo desde a crise de Novembro em que confirmou ter desistido da demissão.

Apesar do anúncio, é pouco claro até que ponto o Hezbollah, com a sua poderosa milícia, aceita abdicar da sua intervenção em conflitos como o da Síria, onde foi um dos principais aliados do regime de Bashar al-Assad contra os rebeldes e os jihadistas. Recentemente, contudo, Hassan Nasrallah, o líder do movimento, negou publicamente estar a fornecer armas aos rebeldes houthi no Iémen, ao contrário do que afirma a Arábia Saudita.