Foto

Um livro sobre vulvas, para quem as adora e para quem (ainda) não

Hilde Atalanta quer mostrar que não há "vulvas perfeitas". Por isso, desde 2016 que as desenha tal como são e partilha no Instagram, alertando para "os problemas da vulva perfeita". Agora, compilou as ilustrações num livro que deverá ser lançado em Abril — mas já pode ser encomendado.

“O problema da vulva perfeita” é… que não existe. Porque, “tal como as nossas mãos, narizes e olhos”, cada vulva é “única e bonita”. Mesmo que as revistas, a pornografia ou os livros de biologia nos mostrem uma imagem distorcida daquilo que é “normal”. Não corresponder aos padrões não é um problema — e é isso que Hilde Atalanta, ilustradora holandesa, quer mostrar com o The Vulva Gallery Book, um livro que compila desenhos de vulvas tal como elas são: de todas as formas e feitios.

Ideal para quem tem ou não uma vulva, o livro “pode ser usado em práticas médicas ou aulas de saúde, pode ser encontrado em salas de espera ou oferecido como um instrumento de encorajamento”, escreve Hilde ao P3. Mais ainda, o livro "muda a forma como vemos o nosso corpo e o dos outros". De pêlos púbicos, mudanças na forma dos lábios e menstruação a ilustrações anatómicas, são revelados mitos e factos, e desvendadas histórias pessoais que acompanham os retratos.

O objectivo? “Alertar para a diversidade dos corpos, inspirar e encorajar indivíduos através da partilha de histórias pessoais e fornecer informações sobre anatomia e saúde sexual”, lê-se no site de Hilde. A artista quer que os leitores sintam uma ligação com a vulva, aprendendo a apreciá-la. E quem sabe conseguir combater o aumento da realização de labioplastias (redução dos pequenos lábios vaginais).

Mas esta não é uma causa nova para a ilustradora. Hilde estudou Psicologia Clínica e sempre direccionou o seu percurso para a saúde e educação sexual. Foi numa palestra na Universidade de Amesterdão que tomou conhecimento do crescimento de labioplastias, ao mesmo tempo que se apercebeu de outra lacuna: "As aulas de educação sexual nunca ensinam sobre diversidade genital; apenas em biologia e relações sexuais seguras (ou, mais especificamente, como não engravidar e evitar doenças sexualmente transmissíveis) ", refere.

PÚBLICO -
Foto
Hilde Atalanta

Foi em 2016 que percebeu que as redes sociais podiam ser a plataforma perfeita para chegar a uma comunidade maior do que a que chegava como terapeuta. Começou, então, uma página no Instagram, onde partilhava (e partilha) ilustrações de vulvas, acompanhadas de mensagens e factos, celebrando a diversidade e abrindo conversa para “tópicos estigmatizados”. O resultado foram quase 300 mil seguidores e uma resposta “fantástica” por parte do público.

O livro esteve em campanha de crowdfunding no Kickstarter e, em apenas onze dias, conseguiu angariar mais do dobro dos 25 mil euros ambicionados. The Vulva Gallery Book está disponível para pré-encomenda (no site do Kickstarter) e deverá ser lançado em Abril, em Amesterdão (Holanda) e Nova Iorque (Estados Unidos).

Hilde não é a única que tenta acabar com o estigma que existe em relação às vulvas. Kim Gehrig, a realizadora do recente anúncio da Gillette, criou também o anúncio publicitário Viva La Vulva, onde objectos se transformavam em vulvas e cantavam em playback. A mensagem era a mesma: não há duas vulvas iguais e há que celebrá-las por isso.

Artigo actualizado às 11h51 de 24 de Janeiro. Foram acrescentadas declarações de Hilde Atalanta ao P3.