Catarina Martins lamenta que Governo não tenha ido mais longe no salário mínimo

O ministro do Trabalho, Vieira da Silva, diz que o Governo não foi mais longe por falta de consenso entre as confederações patronais e sindicais.

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Rui Gaudêncio

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, lamentou hoje que o Governo não tenha ido mais longe no salário mínimo nacional, ficando nos 600 euros, o "mínimo a que foi obrigado".

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A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, lamentou hoje que o Governo não tenha ido mais longe no salário mínimo nacional, ficando nos 600 euros, o "mínimo a que foi obrigado".

Num debate em Leiria para apresentar as propostas do Bloco e debater o Orçamento do Estado para 2019, Catarina Martins recordou que quando fizeram o "acordo com o PS em 2015" obrigaram "a que fosse inscrito no acordo que o salário mínimo nacional tinha de chegar aos 600 euros nesta legislatura".

"Na altura diziam-nos que subir o salário mínimo ia destruir emprego. Há uma coisa que já se percebeu: se tivéssemos ficado no que a Concertação Social permitisse, não tínhamos aumentado até agora. O PS nunca utilizou o crescimento económico para ir mais longe na defesa das pessoas. Tudo o que fez foi sempre os mínimos a que foi obrigado pelos acordos que assinámos em 2015", sublinhou.

O ministro do Trabalho, Vieira da Silva, disse nesta sexta-feira que o Governo, liderado pelo socialista António Costa, "cumpriu o seu programa" ao elevar o salário mínimo para 600 euros em 2019, justificando que não foi mais longe por falta de consenso entre as confederações patronais e sindicais

Respondendo à pergunta onde se vai buscar dinheiro para aumentar salários, pensões e para os serviços públicos, Catarina Martins explicou que "o que é importante que se perceba é que o crescimento da economia em Portugal deve muito à procura interna".

"O que mais se fez nestes anos foi dar procura interna, ou seja, se melhorarmos os rendimentos de quem ganha menos, ainda que ligeiramente - as pessoas não foram pôr o dinheiro nas 'offshores', foram comprar as coisas de que precisavam - isso faz crescer a economia", acrescentou, reforçando que o "crescimento da economia assenta na procura interna".

Sobre o OE 2019, declarou que o documento "mantém a recuperação de rendimentos, mas é um Orçamento que mantém também as limitações".

"Não deixa de ser estranho ver a direita a defender que precisa de mais investimento nos serviços públicos, mas, ao mesmo tempo, estar na Europa com quem quer sanções ao nosso país se os limites do défice não forem cumpridos. É muito estranho ver a direita dizer que os salários não estão a recuperar como devem, mas ao mesmo tempo a impedir a alteração da legislação laboral que verdadeiramente melhore a vida das pessoas", disse ainda.

Para Catarina Martins, "a visão que fica depois deste tempo é que, verdadeiramente, se a esquerda impôs alterações para melhorar a vida das pessoas, a direita foi sempre a muleta do Governo do PS, quando o Governo do PS não quer alterar a legislação laboral" ou "quando não tem coragem para ir contra as rendas de privilégio das eléctricas ou quando não quer fazer investimento público".