Siza Vieira: “Não é proibido um ministro da Saúde casar com um médico”

Ministro da Economia não vê incompatibilidade por ser casado com a presidente de associação ligada ao turismo. Mas pedirá escusa em decisões que digam respeito à associação onde a mulher trabalha.

Ministro Siza Vieira tomou posse na segunda-feira
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Ministro Siza Vieira tomou posse na segunda-feira Nuno Ferreira Santos

O ministro Adjunto e da Economia reiterou não “descortinar” qualquer incompatibilidade no exercício do cargo por ser casado com a presidente da Associação de Hotelaria de Portugal Cristina Siza Vieira. E acrescentou um tom de estranheza: “Não percebo isto. Acho curioso que ao fim de 30 anos de casado descubram que tenho uma incompatibilidade com a minha mulher. Era só o que faltava”.

Em declarações aos jornalistas, no Parlamento, no final de um debate sobre interioridade, Siza Vieira afirmou várias vezes não ver a incompatibilidade noticiada esta quinta-feira, dias depois de ter assumido a pasta da Economia no Governo.

“Não há nenhuma incompatibilidade na lei e na prática”, disse, referindo-se ao exercício das funções governativas e a relação familiar. O ministro lembrou que a sua mulher “exerce a actividade” na área há mais de 25 anos e que trabalha “há oito” na AHP. Siza Vieira fez uma comparação com outros casos que considerou idênticos: “Não é proibido um ministro da Saúde ser casado com um médico, um ministro da Justiça ser casado com um advogado”. A referência não é inocente. Francisca van Dunem, que tutela a Justiça, é casada com o professor catedrático e advogado Eduardo Paz Ferreira, que fundou o escritório Eduardo Paz Ferreira & Associados.

Assegurando que não se sente condicionado na sua acção política, o ministro garantiu que pedirá escusa na tomada de decisões que digam respeito à associação onde a mulher trabalha. “Declarar-me-ei impedido de actuar”, disse, acrescentando que não vê também incompatibilidades quando o titular do cargo político é oriundo da área que vai tutelar. “Até enriquece”, defendeu Siza Vieira, ressalvando que no seu caso é casado com uma pessoa com actividade no sector que tutela e que tem uma carreira da qual se “orgulha”.