Vereador da CDU renuncia a pelouros na Câmara de Portalegre

Segundo o autarca comunista, ao longo do primeiro ano do actual mandato autárquico, "faltou confiança" no relacionamento entre os eleitos das diferentes forças políticas.

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Nuno Ferreira Santos

O vereador da CDU na Câmara de Portalegre, liderada por um movimento independente, renunciou aos pelouros que lhe estavam atribuídos por "falta de confiança e lealdade política", mas a presidente do município refuta as acusações.

A decisão do vereador comunista, Luís Pargana, que era responsável pelos pelouros do Ambiente, Educação, Transportes e Defesa do Consumidor, foi divulgada na mais recente reunião da Assembleia Municipal de Portalegre.

Na sequência das autárquicas de 2017, em que o movimento independente perdeu a maioria absoluta com que governava no anterior mandato, o executivo municipal ficou composto por três eleitos da Candidatura Livre e Independente por Portalegre (CLIP), dois do PS, um da CDU e um do PSD.

Para garantir uma gestão maioritária, a CLIP celebrou acordos com os vereadores do PSD, que ainda se mantém, e da CDU, a quem atribuiu pelouros.

No documento que apresentou na Assembleia Municipal de Portalegre e que publicou na sua página pessoal na rede social Facebook, Luís Pargana lançou várias críticas à presidente do município, a independente Adelaide Teixeira.

Segundo o autarca comunista, ao longo do primeiro ano do actual mandato autárquico, "faltou confiança" no relacionamento entre os eleitos das diferentes forças políticas.

"Faltou, sobretudo, a lealdade mínima, que deveria ter sido máxima, de não pretender atirar o odioso do que corre mal para os outros, ao mesmo tempo que se faz para que corra mal, de forma a poder guardar para si aquilo que for positivo, ainda que feito pelos outros", lê-se no documento.

Considerando que "nenhum" dos compromissos assumidos no acordo com a CDU foi cumprido, o autarca comunista sublinhou que, ao prolongar no tempo as suas funções, estaria a dar um "exemplo de hipocrisia política" aos munícipes.

"Não é de ânimo leve que tomo esta decisão. Faço-o em consciência e com a amargura de ter percebido que não é possível mudar por dentro, quando a presidente da câmara não quer a mudança. Não é possível `fazer` quando falta o `querer` da presidente da câmara", acrescentou.

Luís Pargana salientou ainda que os meses em que trabalhou "alegadamente em conjunto foram, na verdade, meses de costas voltadas".

Contactada pela agência Lusa, a presidente da Câmara de Portalegre, Adelaide Teixeira, disse que respeita a decisão do vereador da CDU, embora considere que a tomada de posição "nada tem a ver" com os motivos apresentados por Luís Pargana.

"Todos os pelouros são importantes. As condições eram para ser durante quatro anos e não durante um ano e tudo aquilo que o vereador pediu à câmara, dentro das nossas limitações, concedemos-lhe", disse.

Adelaide Teixeira reconheceu que existam "constrangimentos" humanos e financeiros no município, mas frisou que foram abertos concursos para contratar trabalhadores para a área do ambiente e estão a ser realizadas obras em escolas, entre outras medidas relacionadas com os pelouros que estavam atribuídos a Luís Pargana.

"Nunca houve falta de colaboração, nem de condições e não aceitamos de todo aquilo que é dito. Compreendemos que existam outras razões que não são ditas, mas que são implícitas", acrescentou.

A direcção da CLIP também já reagiu à renúncia de pelouros por parte do vereador comunista, lamentando a situação e recordando que lhe foram "sempre" dadas condições para desempenhar as suas funções, "como comprovam as várias alterações orçamentais".

No entanto, a CLIP considerou que o trabalho desenvolvido por Luís Pargana "não se traduziu numa mais-valia" para os munícipes, revelando uma "dificuldade" em gerir as condições que lhe foram fornecidas.

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