Médico Manuel Pinto Coelho acusa Ordem de "perseguir quem tem um pensamento científico diferente"

O médico é alvo de um dos 1917 processos disciplinares que aguardam uma decisão dos conselhos disciplinares da Ordem.

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O médico Manuel Pinto Coelho emitiu nesta quinta-feira um comunicado onde diz que pretende vir a “exigir o ressarcimento dos danos” que tem sofrido face às declarações de dirigentes da Ordem dos Médicos. “Os poderes da Ordem dos Médicos não podem ser usados no sentido de perseguir quem tem um pensamento científico diferente que o deste bastonário e dos seus conselheiros”, declara.

Há pouco mais de um ano, Manuel Pinto Coelho, que tem uma clínica antienvelhecimento, defendia, numa entrevista ao Expresso, a ingestão de água do mar diluída, a exposição ao sol sem uso de protector e desaconselhava o consumo de estatinas em muitos casos de colesterol elevado. Foi alvo de um processo disciplinar — um dos 1917 que aguardam uma decisão dos conselhos disciplinares da Ordem, como noticiou o PÚBLICO na edição desta segunda-feira.

Comentando alguns dos processos mediáticos que aguardam resposta, o bastonário dos Médicos Miguel Guimarães explicou ao PÚBLICO, nesse artigo: “O Dr. Pinto Coelho fez várias afirmações sobre o tratamento do colesterol. Houve médicos que me reportaram que alguns doentes deles deixaram de fazer estatinas depois de o terem ouvido.” E acrescentou: “Divulgarem informações que não têm suporte científico desta forma é grave, porque pode ter implicações nas pessoas. É por isso que têm processos disciplinares.”

Nesta quinta-feira, em comunicado, o médico responde. “Ninguém pode estar sujeito a campanhas permanentes que ofendem a sua pessoa e o seu nome e que colocam em causa a sua idoneidade profissional, testada e comprovada durante várias décadas de exercício da medicina. Pelo simples facto de terem sido eleitos, e desde então, o bastonário da Ordem dos Médicos e um grupo de seus conselheiros sentem-se no direito de me perseguir, de tempos a tempos, cada um tomando a sua vez. Fazem-no nos jornais, na televisão, no Facebook, onde bem entendem. Estando para aí virados, mesmo vindo do nada, tomam a iniciativa de falar do meu nome de uma forma desprimorosa. E fazem-no contra as leis do país e as mais elementares regras da deontologia.”

O médico diz que já em Outubro pediu aos tribunais “que ordenassem ao bastonário e a alguns órgãos da Ordem dos Médicos que respeitassem” a sua liberdade de expressão e o seu nome. “Aguardo uma decisão. Mais tarde, porque não é o que me move e estou em tempo, vou exigir o ressarcimento dos danos que venho coleccionando por causa destas sucessivas e insistentes condutas, em que o facho vai passando convenientemente de mão em mão dentro do referido grupo”, remata.