Opinião

Mais interior

A diferença é a atitude das pessoas, moldadas durante muitos anos pela educação e cultura. E isto, meus amigos, não se altera com Movimentos e Programas.

O interior é aquela coisa a preto e branco, triste, envelhecida e pobre em oposição a outra, colorida, jovem, alegre e rica. Entretanto um movimento de ilustres personalidades, desde ex-ministros a autarcas, empresários e professores, como se nenhum deles jamais tivesse a ver com decisões sobre a governança do país, organizou-se num Movimento Pelo Interior (MPI) e apresentou uma proposta de medidas para a boa governação do interior. Não me atrevo a comentar a bondade das vinte e tal medidas; confesso-vos que a própria existência do MPI, mais um, deixa-me, à partida, desconfiado. Depois, ao consultar, brevemente, o relatório final, fico sem qualquer tipo de ilusão.

Deseja-se “diferenciar positivamente o interior” e propõe-se, entre muitas outras coisas, o Programa Operacional Para o Interior e Plataformas de Desenvolvimento Regional. Antes disto tudo, em sucessivos ciclos de governação, já houve dezenas de cangalhadas destas. O resultado está à vista. Recordo que o atual governo criou o Programa Nacional para a Coesão Territorial, não serve para nada? Também uma ridícula e inútil Unidade de Missão para a Valorização do Interior não nos falta. Tão pouco nos faltou dinheiro para o interior, em variadíssimos e originais programas.

Em oposição positiva a tudo isto sempre me interroguei sobre o que distingue um jovem casal de holandeses que há umas dezenas de anos se instalou no interior? São felizes e criam riqueza sobejante. Interrogo-me também sobre o que falta fazer ao inexcedível Armindo Jacinto, presidente de Idanha-a-Nova, para ter sucesso na revitalização da sua terra, uma das mais despovoadas do país? Precisamente por iniciativa do autarca de Idanha, recentemente, em dezembro de 2017, em Lisboa foi apresentada uma estratégia para o interior: O mundo rural e o desenvolvimento económico e social de Portugal, que o inevitável Prof. Augusto Mateus, coordenador da equipa autora, apresentou com o habitual entusiasmo. Para além do “mundo rural, porque sim”, digam lá que não soa bem, como sempre, nada mais. Tudo, mas tudo, sobretudo a realidade e os factos, conduzem-me cada vez mais a uma resposta: a cabeça das pessoas, isto é, a mentalidade, o nível de consciência. A diferença é a atitude das pessoas, moldadas durante muitos anos pela educação e cultura. E isto, meus amigos, não se altera com Movimentos e Programas.

O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico