Camionistas reconhecem “abertura” negocial do Governo mas mantêm paralisação

O protesto iniciou-se às 8h para reivindicar a regulamentação do sector e a indexação do preço dos transportes ao dos combustíveis. A Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas diz que a paralisação deverá atingir todo o país.

Carro, veículo a motor
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A ANTP representa as pequenas e médias empresas do sector e foi formada depois do bloqueio de 2008 NELSON GARRIDO / Arquivo

 A Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP) disse nesta segunda-feira que o Governo “manifestou abertura” para discutir algumas das propostas apresentadas pelo sector, mas o protesto para já mantém-se. Os camionistas mantêm a paralisação iniciada às 8h para reclamar a regulamentação do sector e a indexação do preço dos transportes ao dos combustíveis.

No final de uma reunião no Ministério do Planeamento e Infra-estruturas, que tem a tutela dos Transportes - e que contou também com a presença da Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) -, Márcio Lopes da ANTP disse aos jornalistas que o Governo se comprometeu a criar um grupo de trabalho para discutir as propostas para o sector. “Isto não vai acontecer nem hoje nem amanhã nem em dias, algumas situações podem demorar meses”, disse o responsável, referindo que os promotores da paralisação irão agora reunir-se para decidir se a acção iniciada hoje se mantém ou se será suspendida após as garantias dadas pela tutela.

O primeiro encontro com o Governo, no domingo à noite, tinha sido inconclusivo e manteve a paralisação. A paralisação pretende reclamar a regulamentação do sector, a criação de uma Secretaria de Estado dedicada exclusivamente aos Transportes, a obrigatoriedade de pagamento no período máximo de 30 dias e a criação de um mecanismo para que a inflação também seja reflectida no sector dos transportes.

De acordo com Márcio Lopes, o caderno de reivindicações inclui ainda que o preço dos combustíveis seja indexado ao preço dos transportes, isto é, reflectido no custo dos serviços, melhores condições de trabalho para os motoristas e descontos nas portagens. "A iniciativa não partiu da associação, mas é a associação que está a dar voz ao desagrado dos camionistas e dos empresários, muitos associados da ANTP", explicou o dirigente associativo, adiantando que a acção de protesto deverá decorrer nas estradas "de norte a sul do país, e nas zonas de fronteira".

A ANTP representa as pequenas e médias empresas do sector e foi formada depois do bloqueio de 2008. De acordo com a ANTP, o sector tem 7500 empresas e mais de 300 mil trabalhadores, representando esta associação cerca de 400 associados, segundo o presidente da direcção. Contactada pela Lusa, fonte da GNR disse que até ao momento não há informações de condicionamento de trânsito.

A Lusa tentou ouvir o Ministério do Planeamento e Infra-estruturas, mas tal não foi possível até ao momento.