Crónica

Venha o escandinavo

Será por isso — também — que os países mais felizes do mundo são sempre a Noruega, a Suécia, a Dinamarca e a Finlândia? Por causa do tórrido calor?

Domingo na Praia das Maçãs: a temperatura máxima atinge os 15 graus. Em Copenhaga é 16. Em Oslo é 18. Em Estocolmo é 19.

Na segunda-feira a máxima na Praia das Maçãs ascende vertiginosamente aos 16 graus. É milagre? Ainda não mas é quase: é o progresso. Os veraneantes enchem-se de esperança. Em Helsínquia o termómetro chega aos 19 graus. Copenhaga, entretanto, já vai aos 20, Oslo aos 21 e Estocolmo, ofegante, entra pelos 23 adentro.

Chega a terça-feira e a Praia das Maçãs conseguiu, com grande custo, manter os 16 graus. Colares, invejosa, fica-se pelos 15. Será que vale a pena ir à praia para obter um grau a mais? Não, não valerá. Melhor é ir ver a quanto é que estão os voos para Copenhaga cujos grauzinhos já vão em 23. Ou para Estocolmo ou para Helsínquia, onde reinam os 22. Só para repetir: em Helsínquia estão 22 graus mas na Praia das Maçãs estão 16.

Será por isso — também — que os países mais felizes do mundo são sempre a Noruega, a Suécia, a Dinamarca e a Finlândia? Por causa do tórrido calor?

Por que é que Portugal perde tempo a pensar em política se a única coisa que tem a fazer é copiar o que se faz nestes países?

Não digo adaptar, digo copiar. Basta traduzir todas as leis. Com a maior das humildades e gratidões pelos exemplos a seguir. Se faltar alguma coisinha copia-se doutro país que sabe o que está a fazer, como o Japão.

E, para o caso das praias do concelho de Sintra, não sendo claramente possível importar o belo clima português, venha um escandinavo qualquer.