Robô da NASA partiu para Marte. Vai detectar os sismos marcianos

Um robô que pretende esclarecer os mistérios geofísicos do planeta vermelho partiu neste sábado para Marte. Com os dados da missão, os cientistas esperam conseguir fazer o primeiro mapa do interior do planeta.

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E lá vamos nós de novo em direcção a Marte: desta vez, iremos viajar até ao coração do planeta vermelho. Pela primeira vez, um robô da NASA irá desvendar os mistérios do interior profundo de Marte, detectar os seus sismos e temperatura, assim como estudar a composição do planeta rochoso. A missão chama-se InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) e descolou neste sábado a bordo de um foguetão Atlas da base aérea de Vanderberg, na Califórnia.

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E lá vamos nós de novo em direcção a Marte: desta vez, iremos viajar até ao coração do planeta vermelho. Pela primeira vez, um robô da NASA irá desvendar os mistérios do interior profundo de Marte, detectar os seus sismos e temperatura, assim como estudar a composição do planeta rochoso. A missão chama-se InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) e descolou neste sábado a bordo de um foguetão Atlas da base aérea de Vanderberg, na Califórnia.

O InSight deveria ter partido para Marte em 2016. Contudo, falhas nos instrumentos científicos adiaram o seu lançamento durante dois anos. O veículo espacial agora desenvolvido foi inspirado noutros dois: a sonda Mars Polar Lander, que em Dezembro de 1999 se espatifou na chegada ao solo; e na Phoenix Mars, que chegou a Marte em 2008. Prevê-se que o InSight aterre na região de Elysium Planitia a 26 de Novembro deste ano.

Os grandes objectivos desta missão são compreender a formação e evolução de Marte, assim como investigar a dinâmica da actividade tectónica e o impacto dos meteoritos no planeta. Tudo isto poderá fornecer pistas sobre os mesmos fenómenos na Terra. “Missões anteriores em Marte investigaram a história da superfície do planeta vermelho ao examinar elementos como desfiladeiros, vulcões, rochas e solo, mas nunca se tinha tentado investigar a evolução mais primitiva do planeta”, lê-se no site da NASA. “A InSight é a primeira missão a fazer um exame completo a Marte, desde a formação do planeta há 4500 milhões de anos”, acrescenta-se.

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Ilustração artística do robô InSight NASA/JPL/Caltech

“Sabemos um pouco, mas não sabemos muito [sobre Marte]”, disse Bruce Banerdt, principal investigador da missão ao jornal The New York Times. [A nova missão irá dar-nos] informação fundamental sobre a história do planeta e a sua actividade. Estou ansioso para fazer o primeiro mapa do interior do planeta.”

Agora, ao estudar o tamanho, a espessura ou a densidade da crosta, do núcleo e do manto de Marte, assim como o calor que se escapa do seu interior, a missão também poderá esclarecer-nos sobre os processos evolutivos de todos os planetas rochosos no interior do sistema solar.

Calor que circula em Marte

Para cumprir todos esses objectivos, o Insight leva para Marte três instrumentos científicos. O robô aterrará com um sismómetro que irá “ouvir” o pulsar de Marte. “O sismómetro registará as ondas que viajam através da estrutura interior do planeta”, refere a NASA, adiantando que o estudo das ondas sísmicas poderá explicar como se formam. Segundo o The New York Times, os cientistas esperam detectar, pelo menos, dez a 12 sismos em Marte em dois anos. Afinal, Marte é geologicamente menos activo do que a Terra (nem tem placas tectónicas, por exemplo). No final, esperam construir uma imagem a três dimensões do interior do planeta, assim como um sonograma.

O robô também irá acompanhado por uma sonda de fluxo térmico, que vai perfurar o solo a uma profundidade maior do que outros instrumentos já fizeram, garante a NASA. “Investigará qual a quantidade de calor que circula em Marte. As suas observações esclarecerão se a Terra e Marte são feitos do mesmo material e também vai espreitar como o planeta é por dentro.” Além disso, os cientistas indicam que o local onde o InSight aterrará – a Elysium Planitia – é um sítio típico no planeta, o que ajudará a tirar conclusões.

Por fim, irá para Marte um sistema de comunicação de rádio, que medirá as leves mudanças na localização do veículo espacial e, por sua vez, revelará como Marte se está a movimentar na sua órbita. “Estas medições irão dar-nos informação sobre a natureza do núcleo interno profundo de Marte. E desvendar a que profundidade o núcleo se torna sólido e quais os minerais, além do ferro, que aí estão presentes”, explica-se no site da NASA.

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Ilustração artística do robô InSight NASA/JPL/Caltech

Caso consiga aterrar em Marte em Novembro (um momento bastante crítico de todas as missões), o InSight junta-se assim a um conjunto de robôs que já conquistaram esse feito, como o Opportunity em 2004 ou o Curiosity em 2012 (ambos da NASA). E outros robôs já estão em preparação para pisar Marte: o lançamento do módulo da segunda parte da missão Exomars (da Agência Espacial Europeia) está marcado para Julho de 2020; e a partida do robô Mars 2020, da NASA, será entre Julho ou Agosto de 2020.

E talvez um dia o sonho da chegada dos humanos a Marte também se concretize.

Texto actualizado após o lançamento da missão