Torne-se perito

Eis o novo robô-cientista da NASA que vai visitar Marte

Será lançado no espaço no Verão de 2020 e espera-se que perfure rochas do planeta vermelho e, talvez numa outra missão futura, algumas venham mesmo para a Terra.

O robô <i>Mars 2020</i>
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O robô Mars 2020 NASA/JPL/Caltech

Já se conhece o novo robô-cientista que irá visitar o planeta Marte. Chama-se Mars 2020 e irá até ao planeta vermelho com o objectivo de estudar sinais antigos de vida microbiana. Para isso, terá uma broca para furar rochas até ao núcleo, enquanto um braço robótico em miniatura vai apanhar essas amostras e depositá-las num local para um dia mais tarde serem recuperadas numa outra missão que as trará para a Terra. A partida para o espaço do robô Mars 2020 será em Julho ou Agosto de 2020, e a agência espacial NASA divulgou agora como será o aparelho.

O Mars 2020 é como um filho do robô Curiosity, que chegou a Marte em 2012. Aliás, as semelhanças são logo notadas nas ilustrações do novo robô reveladas pela NASA. E essas semelhanças são mais do que meras parecenças visíveis a olho nu. Cerca de 85% dos equipamentos serão herdados do Curiosity. “O facto é que muito do hardware já tinha sido concebido – ou já existia – e essa é a maior vantagem para esta missão”, diz em comunicado Jim Watzin, director do Programa de Exploração de Marte da agência espacial norte-americana, um programa de longo prazo para explorar o planeta com robôs. “Isto poupa-nos dinheiro, tempo e, sobretudo, reduz os riscos.”

Este novo robô, desenvolvido pelo Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, em Pasadena (Califórnia), terá sete instrumentos científicos – como câmaras, lentes de aproximação, um espectrómetro de raios X e um laser que consegue vaporizar as rochas e o solo para analisar assim a sua química –, bem como novas rodas e mais autonomia do que o Curiosity. Tem o tamanho de um carro, com cerca de três metros de comprimento, 2,7 de largura, e 2,2 de altura. E tem 1050 quilos.

E terá ainda novos objectivos. O Mars 2020 vai estudar o terreno de Marte, no subsolo e à superfície, e recolher amostras de solo e de rochas. “Os instrumentos do Mars 2020 irão procurar sinais antigos de vida através do estudo do terreno que é agora inabitável, mas que outrora tinha rios e lagos a correr, há mais de 3500 milhões de anos”, refere o comunicado.

O novo robô irá ainda fazer uma caça a amostras de Marte e tentar assim perfurar pelo menos 20 rochas até ao núcleo. No futuro, espera-se que cheguem à Terra, numa outra missão. Tem ainda como objectivo a caracterização do clima de Marte e a preparação para a exploração humana.

O Mars 2020 irá explorar três sítios em Marte com diferentes ambientes e que podem ter abrigado vida primitiva. São: a cratera Jezero, que tem o leito de um antigo; na zona Nordeste da planície Syrtis Major, onde em tempos águas quentes terão interagido quimicamente com as rochas do subsolo; e as colinas Columbia, que poderá ter fontes hidrotermais. 

Se a vida existiu alguma vez além da Terra é uma das grandes questões que os humanos procuram responder”, diz Ken Farley, um dos cientistas da missão Mars 2020. “O que aprendermos das amostras recolhidas durante esta missão pode ajudar a responder à questão se estamos sozinhos no Universo.” 

Por isso, lá para o Verão de 2020, o Mars 2020 irá ser lançado. Depois, navegará pelo espaço e espera-se que em Fevereiro de 2021 desça até ao planeta vermelho, usando a técnica do guindaste espacial, tal como aconteceu, pela primeira vez, com o enorme Curiosity. O Mars 2020 vai ficar suspenso no ar por cabos e depois será largado pelo disco protector em que faz a viagem até Marte, para pousar finalmente no solo marciano. Com ele, vai também a nossa vontade de saber mais sobre um dos planetas nossos vizinhos. 

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