Torne-se perito

O maior pára-quedas que irá a Marte passou no primeiro teste

O lançamento da segunda parte da missão ExoMars está previsto para 2020. Os testes aos equipamentos estão em curso e agora foi a vez de um dos seus pára-quedas com 35 metros de diâmetro.

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Teste na Suécia ao pára-quedas de 35 metros de diâmetro da missão ExoMars I.Barel/ESA

O maior pára-quedas que viajará numa missão a Marte cumpriu com sucesso o seu primeiro teste, anunciou a Agência Espacial Europeia (ESA) em comunicado. Tem 35 metros de diâmetro e faz parte de um pára-quedas duplo do módulo de descida da missão ExoMars. Realizado na Suécia, o teste foi o primeiro de uma série de testes de preparação para a próxima fase desta missão.

O lançamento da segunda parte da ExoMars está marcada para Julho de 2020 e a chegada a Marte para Março de 2021. Nesta missão da ESA e da agência russa Roscosmos, serão enviados até Marte um robô europeu e uma plataforma de superfície russa. O robô viajará através da superfície marciana para procurar sinais de vida. “Irá recolher amostras com uma broca e analisá-las com uma nova geração de instrumentos. A ExoMars será a primeira missão que combinará a capacidade de movimento através da superfície e o estudo de Marte em profundidade”, lê-se no site da ESA.

Mas antes de isso acontecer é necessário que a missão aterre inteira em Marte. É que a primeira parte da missão acabou mesmo por falhar na aterragem, com o módulo europeu Schiaparelli a despenhar-se no solo de Marte a 19 de Outubro de 2016. Veio a concluir-se que “informações contraditórias no computador de bordo causaram o fim prematuro da sequência de descida”, originando a libertação antes do tempo do pára-quedas e o funcionamento durante pouco tempo dos propulsores, pelo que o Schiaparelli entrou em queda livre, segundo a ESA.

Voltemos à missão de 2020, adiada para essa altura após o desaire do Schiaparelli. Um módulo transportará o robô e a plataforma científica, ambos protegidos por um escudo. Antes de alcançar a atmosfera de Marte, o escudo com o robô e a plataforma científica no seu interior libertam-se do módulo que os transportou até aí. É aqui que entram os pára-quedas e os propulsores que reduzirão a velocidade da descida: já depois da abertura dos pára-quedas, o escudo protector será descartado e a missão entrará na fase final de descida, com os propulsores a entrarem na fase de travagem. Uma vez na superfície, abre-se uma rampa na plataforma científica e o robô partirá para investigar Marte.

Mas olhemos para o sistema de pára-quedas. Tem cerca de 195 quilos, vai “acomodar” o módulo de descida (o robô, a plataforma científica e o escudo) com dois mil quilos (o da missão Schiaparelli tinha 600 quilos). Composto por dois pára-quedas, o primeiro, mais pequeno, tem 15 metros de diâmetro e abrir-se-á quando o módulo estiver a viajar a uma velocidade supersónica, sendo descartado antes da abertura do segundo pára-quedas. E é este pára-quedas que tem 35 metros de diâmetro.

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Teste do pára-quedas na Suécia ESA/I.Barel

Foi então este sistema de pára-quedas – em particular o segundo, o maior que se levará numa missão a Marte – que passou no teste feito em condições abaixo de zero graus Celsius em Kiruna, na Suécia. Este sistema foi transportado por um helicóptero a 1,2 quilómetros de altitude.

“No teste, demonstrámos a abertura e a inflação do pára-quedas, com os seus 112 fios ligados a um veículo de teste de queda”, refere o comunicado. “Foi um momento muito emocionante ver o pára-quedas gigante desdobrar-se e entregar o módulo de teste na superfície coberta de neve em Kiruna. Estamos ansiosos para avaliar a sequência completa da descida do pára-quedas nos próximos testes de alta altitude”, diz Thierry Blancquaert, da ESA, destacando que este teste é já um “marco importante para o projecto”.

Nos próximos ensaios, os pára-quedas serão lançados de um balão estratosférico, a cerca de 30 quilómetros de altitude, para que se simule a baixa pressão atmosférica de Marte. Também se testará a sequência completa de funcionamento do pára-quedas duplo – afinal, Marte é conhecido por ser um cemitério de sondas e a descida na sua atmosfera é um dos momentos críticos das missões.

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