Imigrantes melhoram indicadores do Serviço Nacional de Saúde

Os imigrantes, em geral, "vão ser mais cuidadores do que gastadores". A especialista Natália Gomes, salientou que cerca de 1500 médicos e enfermeiros estrangeiros estão actualmente a prestar serviço em Portugal.

Em 2016, radicaram-se em Portugal 16 mil pessoas oriundas de outros países, maioritariamente "jovens em idade activa e fértil"
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Em 2016, radicaram-se em Portugal 16 mil pessoas oriundas de outros países, maioritariamente "jovens em idade activa e fértil" ADRIANO MIRANDA

A entrada de imigrantes melhora os indicadores da saúde em Portugal e não deve ser vista como pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS), defendeu nesta sexta-feira em Coimbra a directora científica do Observatório das Migrações.

"Precisamos de reequilibrar a nossa estrutura demográfica", disse Catarina Reis Oliveira à agência Lusa, à margem da sua participação na Cimeira Intercalar do World Health Summit (WHS 2018), que termina ao final da tarde.

Os imigrantes, em geral, "vão ser mais cuidadores do que gastadores" e contribuir para reforçar a qualidade do SNS, melhorar a economia e ajudar a inverter a tendência do decréscimo da natalidade no país dos últimos anos.

"Portugal está num contexto demográfico muito frágil", associado ao envelhecimento da população, "com mais saídas do que entradas" de cidadãos de nacionais ou estrangeiros residentes, devido à recente crise económica, disse a socióloga.

No entanto, num momento em que "o saldo migratório já não está tão negativo como estava", após a intervenção da troika internacional, em 2011, "esta nova pressão" do envelhecimento da sociedade sobre o SNS "precisa de ser reequilibrada", o que acontecerá com a entrada de mais cidadãos de outros países, designadamente da União Europeia, maioritariamente jovens em idade fértil e com boa saúde.

"Termos maior esperança de vida não significa necessariamente que a esperança de saúde esteja a aumentar", sublinhou Catarina Reis Oliveira, que interveio no encontro internacional WHS 2018, no Convento de São Francisco, em Coimbra.

No mesmo painel, subordinado ao tema "Migrantes e saúde", participou a investigadora Natália Gomes, também do Observatório das Migrações. Catarina Reis Oliveira disse ainda à Lusa que os profissionais de saúde que nos últimos anos vieram trabalhar para Portugal, ao abrigo de acordos com outros países, Cuba e Colômbia, por exemplo, "já estão a contribuir para melhorar" o SNS.

Citando dados do Ministério da Saúde, a especialista salientou que cerca de 1500 médicos e enfermeiros estrangeiros estão actualmente a prestar serviço em Portugal. Nove por cento dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde são imigrantes, num país cuja população inclui 4% de estrangeiros.

"Os imigrantes já estão a dar um contributo líquido muito positivo ao SNS", acentuou Catarina Reis Oliveira.

Em 2016, radicaram-se em Portugal 16 mil pessoas oriundas de outros países, maioritariamente "jovens em idade activa e fértil", referiu. Natália Gomes e a directora científica do organismo, Catarina Reis Oliveira, são autoras do estudo "Saúde e migrações em números: o caso de Portugal", tendo-lhes cabido fazer a sua pré-apresentação.

Na versão final, o estudo vai ser divulgado em Lisboa, no dia 18 de maio, no âmbito das comemorações do Dia Mundial dos Médicos de Família.