A culpa é da Rússia e não da "caça às bruxas", diz Mike Pompeo

Nomeado pelo Presidente Trump para secretário de Estado, Mike Pompeo, responde a perguntas duras dos senadores do Partido Democrata: "Vai ser apenas um yes man?"

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Pompeo foi director da CIA desde a chegada de Trump à Casa Branca LUSA/MICHAEL REYNOLDS

O homem que o Presidente Donald Trump escolheu para liderar a política externa norte-americana, Mike Pompeo, foi esta quinta-feira pressionado por senadores do Partido Democrata a responder a muitas questões sobre as várias crises actuais, da Rússia ao Irão, da Coreia do Norte à China, mas houve uma pergunta que ficou no ar durante a sua audiência de confirmação: "Vai ser apenas um yes  man do Presidente Trump?"

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O homem que o Presidente Donald Trump escolheu para liderar a política externa norte-americana, Mike Pompeo, foi esta quinta-feira pressionado por senadores do Partido Democrata a responder a muitas questões sobre as várias crises actuais, da Rússia ao Irão, da Coreia do Norte à China, mas houve uma pergunta que ficou no ar durante a sua audiência de confirmação: "Vai ser apenas um yes  man do Presidente Trump?"

Esta audiência, que ainda decorre, é o primeiro passo para que Pompeo venha mesmo a assumir o cargo de secretário de Estado em substituição de Rex Tillerson, que saiu em Março em confronto com o Presidente Trump. Depois de passar pelo questionário desta Comissão de Relações Internacionais (com 11 membros do Partido Republicano e 10 do Partido Democrata), Pompeo terá de esperar pela votação no plenário do Senado, o que deverá acontecer na próxima semana.

O duro questionário começou com as perguntas do senador Bob Menendez, que descreveu um mundo mais instável e perigoso por causa da Administração Trump. E quis saber se, como secretário de Estado, Pompeo "irá defender estratégias de longo prazo para proteger a segurança nacional e os interesses dos EUA, ou se irá balançar-se de crise em crise como tem acontecido com esta Administração?" Em suma, numa pergunta que foi mais tarde repetida por outros senadores do Partido Democrata, irá o próximo secretário de Estado "enfrentar o Presidente Trump quando ele estiver errado", ou será apenas "um yes  man"? A pergunta ficou sem uma resposta directa, com Pompeo a dizer que irá aconselhar o Presidente Trump, como é a obrigação de um secretário de Estado.

Visivelmente nervoso durante a audiência, Pompeo ficou ainda mais incomodado quando foi questionado sobre a investigação do procurador especial Robert Mueller. Ao fim de várias perguntas – a que tentou não responder dizendo que estava ali apenas para falar sobre as suas qualificações para o cargo –, acabou por confirmar que já foi ouvido pelo procurador Mueller sobre as suspeitas de interferência russa nas eleições norte-americanas de 2016.

Questionado sobre se concorda com a opinião do Presidente Trump quando ele diz que a investigação é uma "caça às bruxas", e que os principais responsáveis pela tensão nas relações com a Rússia são o procurador Mueller e o ex-director do FBI, James Comey, Pompeo acabou por dizer que a responsabilidade pela má relação com a Rússia é das "más acções" do país, e não da investigação.

O único senador do Partido Republicano que entrou em confronto com Pompeo foi Rand Paul, conhecido pela sua defesa de uma política não intervencionista – Paul quis saber quando é que os EUA vão sair do Afeganistão e sublinhou a sua opinião de que o Presidente Trump não tinha autoridade para ordenar o ataque com mísseis Tomahawk contra uma base síria sem ouvir o Congresso.

Pompeo tentou também afastar-se das críticas de que é um "falcão" – e que, como secretário de Estado, irá adoptar uma postura militarista em resposta às crises actuais no Irão, na Coreia do Norte ou na Síria. Para além de Pompeo, o Presidente Trump nomeou John Bolton como conselheiro de Segurança Nacional (um cargo que não depende da aprovação do Senado), levando alguns senadores do Partido Democrata a falarem na instalação de uma "sala de guerra" na Casa Branca.

Apesar de ter sido aprovado pelo Senado quando foi nomeado director da CIA, no ano passado, Pompeo tem a vida um pouco mais difícil no caminho para secretário de Estado. Ainda que não precise do voto favorável da Comissão de Relações Internacionais para vir a ser votado no plenário do Senado, já sabe que aí terá o voto contra do senador John McCain, do Partido Republicano – um voto a que se poderá juntar o de Rand Paul.

Como o Partido Republicano tem 51 senadores, contra 49 do Partido Democrata, Pompeo corre o risco de ser vetado no Senado com os votos contra de McCain e de Paul. Mas, em princípio, isso só acontecerá se todos os senadores do Partido Democrata votarem contra a sua nomeação, algo que, neste momento, parece estar longe de acontecer – entre os 14 senadores do Partido Democrata que aprovaram a sua nomeação para director da CIA no ano passado há muitos que não encontram motivos para hostilizarem o Presidente Trump e criarem uma nova crise política no país.