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Quando um amor não depende de vitórias para ser amor

O amor ao Sporting tem explicação. Um amor que aguenta a privação de vitórias, que não pede nada em troca e que resiste a tudo só pode ser mais forte do que o de todos os outros. É assim para Pedro Fernandes, o apresentador de 39 anos, que herdou sportinguismo do avô Arlindo.

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Pedro Fernandes, apresentador, é apaixonado pelo Sporting Clube de Portugal D.R.

Talvez tenha sido o dia mais difícil de todos os 39 anos. Pedro Fernandes, os dois avôs e os clubes de futebol deles, juntaram-se a sul de Portugal, num Portimonense - Sporting. Avô materno para uma bancada, avô paterno para a outra. O pequeno Pedro  vivia ali o primeiro dérbi de avós. Depressa percebeu que não era possível ‘Amar pelos Dois’. Ele - que é do Sporting desde que se lembra - não escolheu sê-lo naquela tarde. Deu a mão ao avô algarvio, e sentou-se na bancada do Portimonense, onde celebrou três golos de uma vitória agridoce. “Foi a única vez que o meu coração ficou dividido e foi pelos meus avós”, lembra o sportinguista.

PÚBLICO -

Todos os outros dias e anos, esteve – estará sempre -  ao lado do avô Arlindo, a quem imitou o amor ao Sporting. Foi ele que, há mais de 30 anos, lhe apresentou o antigo estádio José de Alvalade. Aí passaram horas longas, bonitas, mesmo com algum sacrifício para o corpo. “Lembro-me que não havia cadeiras no estádio, ele levava sempre uma almofadinha, porque as bancadas de pedra magoavam muito. Se não houvesse almofadinha, havia sempre um jornal que dobrávamos o mais que podíamos. Tenho muitas saudades”, recorda Pedro. O companheiro da bola, perdeu-o, mas o clubismo herdado, transformou-se numa religião. Não no sentido literal.

Pedro Fernandes não reza, nem se benze, tão-pouco acredita no Deus “que nos querem vender”, mas não deixa de pedir ajuda. “Às vezes falo um bocadinho com o meu avô, e peço-lhe para dar uma ‘mãozinha’. Já aconteceu algumas vezes dirigir-me a ele, e sei lá, quando o Sporting ganha, pensar como seria bom se ele estivesse cá para ver”, confessa Pedro Fernandes.

Avô Arlindo, se por acaso estiver a ler-nos, orgulhe-se. Em 21 anos o seu neto profissionalizou-se em sportinguismo. Invadiu estádios, disse um palavrão ou outro, arrancou o último pedaço de relva verde e branca do velhinho José de Alvalade, e chegou inclusive a tentar passar por uma grade do estádio para não pagar bilhete, mas descobriu que tinha a cabeça grande demais para a brecha. Também foi pai, e os seus bisnetos - senhor Arlindo - também já estão evangelizados. Não tiveram outro remédio.  “É impossível deixar os filhos crescerem e escolherem. Não lhes dei hipótese. Mas na cabeça deles tiveram liberdade para escolher… o clube do pai” [risos]. Mais: “Ser do Sporting faz parte da educação, como ensinar a ler e a escrever”, argumenta Pedro. E assim é: o Tomás de 9 anos, e o Martim de 5, são sócios do Sporting, com quotas pagas, e protagonistas de um momento de superlativo amor, no estádio de Alvalade. “No dia em que levei os meus dois filhos ao futebol - e que são as coisas que eu mais amo - pedi à mãe a fotografia da praxe. Quando ela me devolveu o telefone para a mão, e olhei para aquela fotografia, comecei a chorar. Foi uma espécie de realização, ali com os meus filhos, a passar-lhes o que o meu avô me tinha passado”, recorda Pedro Fernandes.

O que dizer? Isto é amor, com pistas que sustentam aquilo que a ciência procura comprovar. O amor a um clube é, na verdade, explicável. É primitivo e é simples. Gosto de ti porque gosto, e porque sim, e nem te peço nada em troca.

“É um amor que não vive só de vitórias, é um amor que sobrevive a tudo. Não ganhando tantas vezes como os rivais, o amor dos adeptos do Sporting é mais intenso, tem de ser mais forte para aguentar a privação de títulos”, garante Pedro. E não deviam ser assim todos os amores?