Quem é quem na corrida para governar Itália

Há mais partidos mas estes são os líderes que, com o apoio de diferentes formações, vão tentar vencer as eleições de domingo, 4 de Março. Rostos de sempre, como Berlusconi, ou jovens acabados de chegar à política, como Di Maio. Contados os votos, nenhum bloco terá maioria para governar.

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Em 2011, quando Silvio Berlusconi foi obrigado a deixar o poder no meio de uma crise económica, perseguido por escândalos e festas Bunga Bunga, poucos lhe antecipariam um regresso. O homem que chegou a prometer elevar a esperança média de vida dos italianos para os cem (campanha de 2008) não é eterno, mas é muito, muito resistente. E aqui o temos, quase com 82 anos, sem sequer poder governar (uma condenação por corrupção inabilita-o até 2019), com probabilidades de ajudar a decidir o próximo líder de Itália.

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Em 2011, quando Silvio Berlusconi foi obrigado a deixar o poder no meio de uma crise económica, perseguido por escândalos e festas Bunga Bunga, poucos lhe antecipariam um regresso. O homem que chegou a prometer elevar a esperança média de vida dos italianos para os cem (campanha de 2008) não é eterno, mas é muito, muito resistente. E aqui o temos, quase com 82 anos, sem sequer poder governar (uma condenação por corrupção inabilita-o até 2019), com probabilidades de ajudar a decidir o próximo líder de Itália.

“Ele tem uma vantagem, está mais ao centro, pode mudar de posições e ninguém se escandaliza”, diz Daniele Albertazzi, especialista em Política Europeia, com muita investigação sobre Itália. Para o politólogo Gianfranco Pasquino, da Universidade de Bolonha, conta a sua “capacidade de fazer campanha, de falar com as pessoas, por comparação com os candidatos do centro-esquerda que são obrigados a fazê-lo mas não têm empatia”.

“E há muitos italianos que continuam atraídos pela imagem de sucesso. Berlusconi tem muito dinheiro, teve uma equipa de futebol, tinha uma mulher muito bonita. É um estilo de vida, um empreendedor do Norte que até pode não pagar os impostos todos… Enfim, é um de nós”, descreve o professor Pasquino.

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Nem o académico da Universidade de Birmingham nem Pasquino querem fazer “astrologia” e antecipar vencedores ou coligações pós-eleitorais para alcançar a maioria que as urnas não darão a ninguém. Albertazzi fala de uma espécie de intervalo: “Provavelmente teremos um governo liderado pela direita, mas também podemos permanecer com o actual governo de centro-esquerda mais dois ou três anos. Nada disso será uma tragédia”.

Pasquino sublinha a importância dos votos reunidos pelo novo Livres e Iguais, “se tiverem 5% é um cenário, mas se chegarem aos 10% poderão ser um parceiro interessante para o Movimento 5 Estrelas”. Beppe Grillo, o comediante que fundou o partido que lidera as sondagens diz ter abandonado a política – e Luigi Di Maio não mantém a sua recusa de ver um movimento anti-sistema coligar-se com a “velha política”. Aliás, esta semana Di Maio já divulgou um muito criticado “governo sombra”

“Por ele, eles governavam a partir de 5 de Março logo de manhã”, diz Pasquino. O sucesso do M5S, que governa municípios como Roma, “começou por ser fruto de uma revolta dos jovens”, diz Albertazzi. “Mas hoje têm eleitores até aos 55 anos, só os mais velhos não votam neles.” Pasquino sabe que Di Maio quer ser primeiro-ministro mas duvida das suas capacidades.

O politólogo também não é meigo com Matteo Renzi, o líder do Partido Democrático que deixou a chefia do Governo no fim de 2016, depois do chumbo em referendo da sua reforma constitucional. “No Governo foi muito arrogante. Não tem cultura política, tem pouco conhecimento”, afirma, antecipando que o centro-esquerda fará uma longa auto-análise depois da experiência PD, partido “criado em oito meses com muita arrogância”.

Domingo podem votar mais de 51 milhões de italianos – mas com coligações que ninguém é obrigado a manter, nenhum pode saber exactamente como é que seu voto será usado.