A natureza já não existe. Só há “Natureza Humana”

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O fotógrafo Lucas Foglia cresceu numa quinta no estado de Nova Iorque, onde a família cultivava a própria comida e onde se sentia protegida de toda a azáfama da cidade e dos subúrbios. "A floresta que circundava a nossa quinta era o meu recreio selvagem, um local de brincadeira que era ignorado pelos vizinhos, que viviam em Manhattan", explicou ao P3. Em 2012, o furacão Sandy inundou os campos da região e derrubou as árvores mais antigas dessa floresta. "Nas notícias, os cientistas relacionaram a tempestade com as alterações climáticas, causadas pela actividade humana. Foi então que percebi que se os seres humanos estão a mudar o clima, não há nada no mundo que não tenha sido alterado por eles."

Esta conclusão conduziu Foglia ao desenvolvimento de um projecto que coloca em evidência a relação entre seres humanos e o meio ambiente, que intitulou de Human Nature e que deu origem a um fotolivro homónimo. "A série começa por mostrar-nos cidades e atravessa, posteriormente, florestas, quintas, desertos, planícies geladas e oceanos", explica o norte-americano, em entrevista ao P3.

Foglia fotografou "o resultado de programas governamentais concebidos para devolver as pessoas ao contacto com a natureza, a pesquisa de neurocientistas acerca dos efeitos benéficos do contacto com o mundo natural e de cientistas que medem a escala em que a actividade humana influencia a atmosfera", referiu. Ainda assim, destaca, os norte-americanos passam 93% do seu tempo de vida dentro de portas. "O termo natureza costumava designar o mundo para além da influência e criação humanas. Hoje em dia não existe um lugar no mundo que não tenha sido alterado por pessoas, o que leva muitos a dizer que a natureza já não existe." O fotolivro Human Nature (A Natureza Humana, em tradução livre) já mereceu a atenção do The Guardian, da National Geographic e do New Yorker.

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