Crónica

Pedro Rolo Duarte!

A tua palavra, aquela que aparece quando penso em ti e que, como vês, já não me dou ao trabalho de disfarçar, é muito; a tua palavra é muita, Pedro.

Viste o teu nome? Ficaste surpreendido? Diz-me que não estavas à espera que já me formigam os dedos para ir buscar a taça. Há quanto tempo andamos, tu e eu, nesta brincadeira de aparecer nos jornais a falar um do outro?

Se calhar julgas que andas escondido e que eu não sei onde estás. Está bem, está: eu sei tudo. Nisso, sou como tu. Não é fácil saber tudo. Também nisso sou como tu: preferia não saber nada. Com nada consegue-se trabalhar.

Fizemos muitas coisas, Pedro, nem sempre ao mesmo tempo, nem sempre os dois juntos. Não se pode ter tudo. Ou pode-se? Na volta, já temos tudo o que poderíamos querer mas continuamos gulosos na mesma.

A verdade - aquela que, com unhas e dentes, ninguém nos tira - é que fizemos, singularmente, muita coisa juntos. Mas não te aconchegues: ainda falta muita coisa. Algumas estão marcadas - algumas há muito, muito tempo - e outras, as melhores, ainda estão por marcar, vê lá tu. (Vê lá essa merda).

A tua palavra, aquela que aparece quando penso em ti e que, como vês, já não me dou ao trabalho de disfarçar, é muito; a tua palavra é muita, Pedro. Sempre pusemos as palavras a trabalhar, a ver se fazem o favor de aproximar-se daquilo que os nossos corações dizem quando doem de memórias, de esperança, de riso e de amizade. Traduzam, porra!

Isso não vai acontecer, pois não? Fica-te com estas, quentes e boas, ao contrário das castanhas geladas e más que não interessam a ninguém. Considera-te surpreendido, velho amigo. Foste apanhado. Diz qualquer coisa, sacana.

 

 

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