Arquitectura

Design: Red Dot premeia sistema de construção português

Tiago Casanova
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Tiago Casanova

Um sistema modular "inovador" que permite construir "edifícios de elevada resistência estrutural em tempo recorde”, isto é, “cinco a seis vezes mais rápido do que o tempo médio de construção em Portugal”. É assim que Samuel Gonçalves começa por descrever os módulos de betão armado que valeram ao Summary — um jovem estúdio de arquitectura do Porto — o prémio internacional Red Dot: Design Concepts na categoria “Habitat”. Todos os anos, a instituição premeia o que de "melhor se faz nos negócios e no design" e, nesta edição, recebeu um número de candidatos "recorde" na pasta de design concepts: 4724. O arquitecto português de 29 anos acredita que a distinção se deve à “resposta rápida e pragmática” que o Sistema Gomos apresenta a um dos “maiores desafios actuais da arquitectura". “A optimização do tempo e dos recursos físicos”, precisamente um dos “pontos-chave” do sistema e do estúdio que gere, explica ao P3.

 

Para Samuel, o sistema construtivo destaca-se num “contexto de emergência arquitectónica que se faz sentir à escala global” de duas formas. Primeiro, com o aumento esperado do crescimento populacional nas cidades, “sem precedentes e num intervalo de tempo muito curto”, diz o arquitecto. E depois com o “imediatismo” exigido por uma “sociedade global acelerada” que vive atrás da “eficiência de produtos e serviços que encontra em marcas como Ikea, Uber ou AirBnb”. 

 

Os “gomos” demoram três meses a ser produzidos, “foram desenhados com dimensões específicas que permitem um transporte simples por via terrestre ou marítima” e permitem a montagem do edifício no local em cerca de três dias, através da junção dos módulos. Cada um dos blocos sai da fábrica finalizado, “incluindo todos os acabamentos interiores e exteriores, isolamentos, caixilharias, instalações de água e electricidade e até as peças de mobiliário fixas”. Mas os cinco jovens arquitectos que constituem o Summary, onde a média de idades ronda os 29, acham que o Gomos pode ser ainda mais rápido a produzir em fábrica, opção que estão a estudar juntamente com “a aplicação do mesmo tipo de sistema em edifícios com múltiplos pisos”, algo que até agora ainda não é possível, avança Samuel.

 

Esta não é a primeira vez que a startup incubada no UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto dá que falar em Portugal e lá fora. Em 2015, quando o estúdio foi fundado, venceram o Prémio Nacional das Indústrias Criativas e, um ano depois, levaram na mala três "gomos" — isto é, três módulos — quando foram o atelier mais jovem a viajar até à Bienal de Veneza. Desta vez, o sistema aterrou em Singapura, onde vai ficar exposto no Museu de Design Red Dot até ao final de Janeiro de 2018. Com o Gomos construíram, até agora, um edifício de habitação com 80 metros quadrados em Arouca (a Gomos House, representada nesta fotogaleria) e têm, em curso, outros projectos: o VDC, um edifício que mistura habitação e turismo e está neste momento em construção; o Ci3, um centro de inovação industrial em fase de projecto; e um plano de recuperação e prevenção de uma floresta ardida, também em Arouca. 

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