Entre o Céu e a Terra, a Gulbenkian programa música que "transcende as palavras"

Num só ciclo, a música contemporânea cruza-se com a barroca, o flamenco com a música síria e com o canto sacro argelino. A unir estes concertos está uma certa ideia de espiritualidade e música "que pode ser compreendida pelos vários povos", explica Risto Nieminem. O directo do serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian revela que nesta temporada procuraram fugir ao habitual registo de ciclos construídos em redor de um determinado universo musical. 

Optaram então por criar três ciclos temáticos e avançar com abordagens diferentes em cada um deles. O primeiro, que se iniciou esta semana com um concerto do Ludovice Ensemble, chama-se Entre o Céu e a Terra e à sua volta congrega músicas de vários géneros sob a égide da espiritualidade na música. A obra Stimmung, de Stockhausen é uma delas, mas o ciclo vai incluir ainda música síria por Waed Bouhassoun e um cruzamento inesperado entre a música barroca e o flamenco, num projecto encabeçado pela meio-soprano checa Magdalena Kožená.

O ciclo encerrará a 15 de Outubro, quando o Coro e a Orquestra Gulbenkian, dirigidos pela maestrina Joana Carneiro, interpretarem a Sinfonia n.º 3 de Górecki, num concerto do qual farão parte duas peças encomendadas pelo Santuário de Fátima a Eurico Carrapatoso e James MacMillan. A soprano portuguesa Elisabete Matos voltará a actuar na Fundação, mais de dez anos depois da sua última presença.