Graça Fonseca: "Fi-lo para ir mudando mentalidades"

Secretária de Estado agradece o apoio que tem recebido por ter afirmado ser homossexual e diz que o fez "por afirmação política".

dro Daniel Rocha
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dro Daniel Rocha

Graça Fonseca, secretária de Estado da Modernização Administrativa, contou ao Diário de Notícias, em entrevista, que é homossexual. Uma "afirmação política", feita com o intuito de ajudar quem sofre com discriminação por causa da orientação sexual e para "ir mudando mentalidades". 

A governante conta esta quarta-feira no Facebook que tem recebido várias mensagens de incentivo e de partilha de alguns casos. "Recebi (e continuo a receber) muitas mensagens de pessoas que não conheço. São mensagens de esperança, de partilha de situações de discriminação, de agradecimento pelas filhas e filhos que recentemente assumiram a sua orientação sexual. E isto sim é o que me importa, agora e sempre", começa por dizer a secretária de Estado.

Graça Fonseca admite, no entanto, que expor a sua vida pessoal numa entrevista - sendo a primeira governante a fazê-lo - não foi uma escolha "fácil" nem uma escolha que "faça de forma leviana", mas que o fez porque ainda há na sociedade portuguesa uma mentalidade que discrimina os homossexuais. "Fi-lo porque acredito, mesmo, que fazê-lo pode ser importante para muitas pessoas e para ir mudando mentalidades. Fi-lo como uma afirmação política, mas não por razões políticas ou partidárias. Nunca cederia parte da minha liberdade (e da liberdade daqueles que amo) por razões dessa natureza", escreve.

Além de elogios, várias têm sido as críticas que a governante foi alvo por ter dito ao Diário de Notícias que era homossexual. Carlos Abreu Amorim, por exemplo, criticou a entrevista num post no Facebook, dizendo que o que Graça Fonseca fez foi "projectar-se a si mesma, a sua vida privada e a sua sexualidade. Hoje, uma coisa assim não demonstra coragem, diferença ou novidade. Apenas exibe que não tem mais nada para dizer", escreveu.

Graça Fonseca acabou por responder a estas críticas. "Importa-me pouco", escreveu, acrescentando que todos os comentários maldosos que têm sido escritos em redes sociais ou em espaços de opinião muitas vezes "nada mais acrescentam além de palavras de ódio e desprezo por pessoas sobre as quais nada sabem (nem querem saber)".

Graça Fonseca não foi a primeira política portuguesas a assumir-se homossexual, mas foi não só a primeira mulher a fazê-lo já depois de estar num cargo governativo, como também a primeira governante a afirmar a sua homossexualidade.