O “descoco” de Assunção Cristas

Ministro do Ambiente afirma que o Governo de Passos Coelho, do qual Cristas fez parte, "fez tudo para acabar com a oferta de transporte colectivo nas cidades".

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Quando era ministro era contra a expansão do metro, agora que é candidata desafiou o Governo a avançar com um plano de construção de 20 novas estações no metropolitano de Lisboa LUSA/TIAGO PETINGA

Em Maio, a ex-ministra, líder do CDS e candidata à Câmara de Lisboa, Assunção Cristas, surpreendeu o Governo, desafiando-o a avançar com um plano de construção de 20 novas estações no metropolitano da capital.

O desafio foi feito em pleno debate quinzenal no Parlamento onde a deputada democrata-cristã, já na pele de candidata à autarquia lisboeta, declarou: “Ou há rasgo, horizonte e ambição para o metro de Lisboa ou os problemas [de mobilidade e transportes] da cidade não se vão resolver”.

Três meses depois, em entrevista ao PÚBLICO, o ministro do Ambiente, que tem a tutela dos transportes, declara: “Há pessoas que têm um grande descoco. Assunção Cristas foi ministra de um Governo que garantiu que não se podia gastar um tostão de fundos comunitários na expansão das redes do metro de Lisboa e do Porto".

“O anterior governo que fez tudo, tudo, para acabar com a oferta de transporte colectivo nas cidades, mas algumas dessas pessoas que integraram o governo agora parecem ter uma visão diferente. Se é só porque são candidatas não sei, espero bem que não seja. Eu tenho mesmo uma visão diferente”, afirmou o governante.

Para Matos Fernandes, “é absolutamente fundamental investir nos transportes colectivos de Lisboa e do Porto, nomeadamente, na expansão da rede de metro".

Quanto a Lisboa, fala "daquele projecto muito realista de fechar aquele grande anel do Campo Grande ao Cais do Sodré" e que - frisa - "é fundamental do ponto de vista da operação". "O problema dos transportes colectivos, entre outros, é a dificuldade de ajustar a oferta à procura e é claramente nesta zona de Lisboa que existe uma maioria procura e onde nós temos de concentrar uma maior oferta”, declarou Matos Fernandes, revelando que “uma vez construído, sim, podemos mesmo ao longo do tempo e, de acordo com o investimento disponível, ir acrescentando e prolongando as extensões que daí saem, mas, em primeiro lugar, temos que garantir a operação do metro e o que é fundamental é o projecto que temos em cima da mesa, que começa agora a ser projectado”.

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