Os 4 alimentos mais sobrevalorizados deste Verão

Quando a palavra de ordem é emagrecer há alimentos que ficam sob os holofotes. Contudo, como não poderia deixar de ser, a hipervalorização dos seus efeitos é algo que agrada a quem vende e induz em erro quem compra.

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Qualquer Verão que se preze tem a sua lista de trendy foods, ou seja, alimentos que ficam sob os holofotes quando a palavra de ordem é emagrecer. Como não poderia deixar de ser, a hipervalorização dos seus efeitos é algo que agrada a quem vende e induz em erro quem compra. Quais são então estes alimentos:

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Pão / aveia / arroz / massas proteicas

Hoje em dia tudo parece que tem ser “proteico” para ser bom. Se ter um bom aporte de proteína em barras e iogurtes parece ser positivo porque objectivamente o que se procura em cada um destes alimentos é de facto a proteína, o mesmo já não se pode dizer de pão, aveia, arroz e massas. Quem procura optimizar a sua massa muscular, sabe que a proteína é importante até um determinado ponto e que quando se exacerba o consumo de proteína em detrimento da quantidade de hidratos os resultados nunca serão muito positivos. Para além disso, nem toda a proteína é igual no que diz respeito à síntese proteica muscular e objectivamente as proteínas adicionadas a estes alimentos (glúten no caso do pão e ervilha e soja no caso do arroz e massas) não possuem de longe a mesma composição em aminoácidos nem o mesmo efeito que proteínas de origem animal (leite / ovos / carne / peixe).

Por isso, aqui fica uma “dica” (porque hoje em dia a palavra “dica” faz magia) para tornar o seu pão, arroz e massa numa versão mais proteica: junte-lhe ovos, carne, peixe ou proteína do soro de leite em pó! Ficará com uma refeição nutricional e sensorialmente mais rica, com os macronutrientes bem mais equilibrados e praticamente ao mesmo preço, porque estas versões proteicas de pão, massas e arroz também se fazem pagar bem.

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O milagre do coco

“Se tem coco, deve ser bom”, é uma ideia que se tem propagado a uma grande velocidade ultimamente não só relativamente ao óleo de coco (do qual já falamos, e que aqui tem outra excelente e ponderada análise), mas também a alguns derivados seus como o açúcar de coco. Este novo açúcar é algo que até pode ser bom quando utilizado em receitas que já levariam açúcar e no qual o sabor a coco possa ser um acréscimo positivo. Ainda assim, não faltarão pessoas a liberalizar o seu consumo com o argumento de que é “natural” e “não é refinado” e por isso “não tem nada a ver” com o açúcar branco. Mas, infelizmente, muito mais é o que os une do que aquilo que os separa.

O açúcar de coco tem na mesma 92 a 95% de açúcar e por mais riqueza em vitaminas e minerais que tivesse (que até não é o caso), para esta ser minimamente relevante para o nosso organismo, teríamos de ingerir uma grande quantidade deste mesmo açúcar. Igual conversa para a inulina, uma fibra solúvel que está presente em pequena quantidade no açúcar de coco e para outros compostos como a D-xilose que podem ajudar a que este açúcar desencadeie uma resposta glicémica menor. Em todo o caso, estar a discutir o impacto glicémico de um alimento que possui mais de 90% de açúcar na sua composição é algo que entra no domínio do risível, uma vez que quem está preocupado com esse tópico tem uma boa solução que passa por ingerir muito pouco açúcar seja ele qual for. Por isso, o açúcar de coco entra na mesma categoria do açúcar amarelo, mascavado, mel e tantos outros adoçantes “naturais” e “diferentes”: muda o nome, mas o açúcar é (quase) o mesmo.

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Tapioca

A tapioca é um alimento que atrai. É novo, é diferente e origina umas fotos bonitas para as redes sociais e por isso tem todos os condimentos necessários para ser um alimento da moda no século XXI. No fundo, a tapioca é dos alimentos mais simples de analisar que existe. São hidratos de carbono “complexos” e ponto final. Não tem açúcar, não tem gordura, não tem proteína, não tem fibra, não tem sal e são muito escassos os dados sobre a sua composição em micronutrientes. Quer isto dizer que a tapioca não tem nada de mal em si, mas não é automaticamente sinónimo de um episódio alimentar saudável, pois tudo depende do que se lhe coloca dentro.

Uma vez que uma porção normal já possui uma quantidade assinalável de hidratos de carbono, convém que o seu recheio possua uma boa quantidade de proteína (queijo, fiambre, ovos, frango, etc.), de modo a ficar uma refeição equilibrada. Para quem tem uma aversão total a hidratos de carbono que se comem no prato (arroz, massa, batata, batata-doce), convém ter em conta que uma porção de 100g destes possuem menos hidratos de carbono que uma porção de 60g de tapioca e com a vantagem de terem mais fibra, proteína, vitaminas e minerais. Por isso a tapioca é uma excelente experiência gastronómica que pode ser equilibrada ou não dependendo do recheio escolhido, mas está a léguas de distância de ser considerado um superalimento.

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Açaí

Muito do que foi referido para a tapioca é igualmente válido para o açaí. Ou seja, já tem por norma hidratos de carbono que cheguem, algo que piora quando se lhe adiciona banana, granola, mel e outros alimentos mais açucarados. Para quem o faz como sobremesa ocasional ou como guilty pleasure de fim-de-semana está perfeitamente enquadrado e até é das opções mais saudáveis que se podem tomar nesse contexto de fuga à rotina/dieta.

O açaí na sua versão pura é um fruto que possui uma grande quantidade de gordura (40 a 50%) e muito pouco açúcar. O que quer dizer que olhando para a composição nutricional das polpas existentes comercialmente se pode constatar que quanto mais açúcar e menos gordura, mais longe estamos do alimento original e das respectivas antocianinas responsáveis pelo seu efeito antioxidante. Por outro lado, certamente que uma polpa de açaí com pouco açúcar não será tão agradável sensorialmente como as que existem comummente no mercado, por isso esta é mais uma razão para pensar no açaí como uma sobremesa diferente e não como um superalimento com uma mega-acção antioxidante. Até porque estando num país com tão boa cereja, mirtilo e demais frutos vermelhos, achar que é o açaí que nos vai salvar não faz muito sentido.