Polícia de Manchester deixa de partilhar informação com os EUA

Em causa está a divulgação de informação britânica confidencial, quando ainda decorrem investigações ao atentado de segunda-feira.

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A ministra do Interior do Reino Unido considerou a decisão norte-americana "irritante" LUSA/WILL OLIVER

A polícia de Manchester vai deixar de partilhar temporariamente informação com as autoridades norte-americanas, depois ter visto informação confidencial ser divulgada a partir de Washington e Nova Iorque, prejudicando as investigações ao ataque de segunda-feira à noite. A informação é avançada pela BBC, que diz que a polícia britânica está "furiosa" com os EUA. 

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A polícia de Manchester vai deixar de partilhar temporariamente informação com as autoridades norte-americanas, depois ter visto informação confidencial ser divulgada a partir de Washington e Nova Iorque, prejudicando as investigações ao ataque de segunda-feira à noite. A informação é avançada pela BBC, que diz que a polícia britânica está "furiosa" com os EUA. 

Esta quinta-feira, a primeira-ministra britânica, Theresa May, deverá confrontar o Presidente norte-americano durante a cimeira da NATO em Bruxelas com o sucedido, diz o jornal britânico The Guardian.

A divulgação de informação começou na terça-feira, quando responsáveis norte-americanos revelaram aos media o nome do autor do atentado, citando fontes britânicas. A rápida partilha do nome forçou a polícia britânica a confirmar os detalhes da sua identidade, contra a sua vontade.

Seguiu-se a publicação de imagens de provas recolhidas no local do atentado pelo jornal norte-americano New York Times. As imagens mostravam o que parecia ser o engenho explosivo usado e estavam acompanhadas de informação considerada "sensível".

Já na quarta-feira, e referindo-se à revelação do nome do autor da explosão, a ministra do Interior britânica tinha considerado a "intervenção" de Washington na investigação britânica "irritante". Ambar Rudd sublinhou “que a polícia britânica pretende controlar o fluxo de informação, para proteger a integridade operacional e o factor surpresa”, e que uma situação semelhante “não poderia voltar a acontecer”. Mas a situação repetiu-se, com a publicação das imagens e dados no New York Times.

A polícia de Manchester espera que a comunicação bilateral possa ser retomada em breve, mas não esconde que, de momento, está muito descontente com a postura das autoridades norte-americanas.

James Landale, um diplomata ouvido pela BBC, sublinha que é na área da partilha de informação secreta que a relação entre os EUA e o Reino Unido é "mais do que um simples cliché". "Os presidentes e primeiros-ministros podem vir e ir, mas a continuidade da relação entre os responsáveis e instituições dos EUA e Reino Unido são o que mantém esta relação transatlântica." Ora isso, continua, "só acontece com base num princípio de confiança, o que significa que se um dos lados partilha informação secreta, ela não deve ser partilhada com terceiros, muito menos com a imprensa".

“Valorizamos as relações importantes que temos com os nossos serviços secretos, forças da lei e parceiros de segurança à volta do mundo”, sublinham responsáveis da polícia britânica citados pelo Guardian. “Quando a confiança é quebrada, as nossas relações são prejudicadas, prejudicando também as nossas investigações e a confiança das vítimas, testemunhas e as suas famílias. Os danos são ainda maiores quando existe a partilha de provas no meio de uma grande investigação contra o terrorismo."

As críticas chegaram também de vários membros do Governo britânico e do presidente da câmara de Manchester, Andy Burnham.

O atentado de segunda-feira matou 22 pessoas e feriu 64, 12 das quais menores com menos de 16 anos.

Às 9h30 desta quinta-feira, a polícia tinha detido oito pessoas. Os suspeitos são todos do sexo masculino – uma mulher que também tinha sido detida foi libertada.