A luta contra a homofobia vai ter como palco os campos de basquetebol e râguebi

Nos dois próximos fins-de-semana, e no âmbito Dia Internacional Contra a Homofobia, a Lesbofobia e a Transfobia, os atletas vão entrar em campo com atacadores com as cores da bandeira arco-íris.

Nuno Ferreira Santos/Arquivo
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Nuno Ferreira Santos/Arquivo

Nos próximos dois fins-de-semana os jogadores de basquetebol e de râguebi vão entrar em campo com uns atacadores diferentes. Tudo para deixar uma marca na luta contra a discriminação no âmbito do Dia Internacional Contra a Homofobia, a Lesbofobia e a Transfobia, que se assinala esta quarta-feira.

A iniciativa partiu da ONG Boys Just Wanna Have Fun, que tem como objectivo a inclusão de todas as pessoas através do desporto, mas foi abraçada e desenvolvida pela Secretaria de Estado da Cidadania e Igualdade. “A ideia surgiu quando esteve em Portugal um atleta olímpico canadiano que se assumiu como homossexual e que anda pelas escolas a falar sobre o bullying gay”, conta a secretária de Estado da Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, ao PÚBLICO. “A associação [Boys Just Wanna Have Fun] lançou a ideia de ter atacadores com as cores da bandeira LGBT na prática desportiva” e o Governo entrou em contacto com os activistas para se associar à iniciativa.

Mas, sublinha Catarina Marcelino, a ideia só se poderia materializar com os “desportistas em campo”. Com esta perspectiva foi lançado o desafio às federações de basquetebol e de râguebi. “No próximo fim-de-semana, nos dias 20 e 21 de Maio, os jogadores de basquetebol vão entrar em campo com os atacadores” e, “no outro fim-de-semana, nos dias 27 e 28, serão os atletas de râguebi”. “Ao todo vão estar envolvidas duas mil pessoas”, revela a secretária de Estado.

Por tudo o que envolve, o desporto é, na opinião da governante, “a melhor forma de marcar o combate à discriminação”, num país em que ainda há algum caminho para desbravar. “Quer nos rankings da Ilga Internacional quer na Ilga Europa, somos dos países, do ponto de vista legislativo, mais avançados nesta matéria”, lembra. “Mas temos de passar das leis para uma sociedade que não discrimina”.

O presidente da Federação Portuguesa de Rugby, Luis Cassiano Neves, explica também ao PÚBLICO que não teve dúvidas em aceitar o desafio do executivo — até porque se encaixa na perfeição nos valores e princípios seguidos pela modalidade: “É uma iniciativa que tem aqui um grande apoio por parte do Governo e portanto teve um convite institucional que nos foi dirigido e nós revemo-nos em absoluto naquilo que são os princípios desta iniciativa”.

“Isto não é uma prerrogativa do râguebi, mas o râguebi seguramente está na liderança dos valores de inclusão de alargamento social de solidariedade”, diz ainda Cassiano Neves. “Isto está completamente alinhado no nosso espírito e com os nossos valores”, garante.

Acresce que esta é também uma oportunidade para lançar uma mensagem à comunidade LGBT. “Nós queremos dar um sinal à comunidade de que o râguebi está absolutamente aberto e que conta com mais iniciativas desta natureza. É um sinal de modernidade, é um sinal de humanidade, é um sinal de respeito e de dimensão civilizacional e portanto o râguebi não poderia estar de fora. É com muito orgulho que estamos envolvidos”, diz.

O presidente da Federação Portuguesa de Basquetebol, Manuel Fernandes, também ressalva o papel social da modalidade: “Nós associamo-nos a esta campanha porque faz parte do nosso papel social procurarmos uma sociedade mais inclusiva e mais tolerante. E daí nos termos associado a esta jornada de luta”, explica ao PÚBLICO.

No próximo fim-de-semana serão muitas “centenas de atletas” que utilizarão os atacadores nas competições nacionais de basquetebol ainda em curso: “Já estamos numa fase das competições onde já há menos jogos – só as equipas apuradas para as fases finais é que estão em competição, nomeadamente na liga masculina (a liga feminina já terminou). Mas em todas as outras competições nacionais de jovens também vamos utilizar, e pedimos a todos os clubes que cumpram, os atacadores arco-íris”, afirma Manuel Fernandes, lançando ainda um apelo para que todos os atletas “adiram e aceitem a proposta”.