Observar, fotografar e arquivar em Vila Franca de Xira

A 13.ª bienal de fotografia foi inaugurada este sábado tendo como tema Arquivo e observação. Tem novo recorte curatorial de David Santos, e decorre até 22 de Janeiro.

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Trabalho da série Arquivo e vestígio, de 2016 José Maçãs de Carvalho
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Momento da inauguração da bienal DR
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Cartaz da BF16, a partir de imagem de Daniel Blaufuks DR

“Hoje em dia, fazer fotografia é fazer arquivos. Mas guardar e identificar o registo daquilo que foi um dia a experiência da visão é uma tarefa que pode ser simultaneamente simples e complexa”. E a arte da fotografia é aquela que se distingue da aproximação mais simplista deste registo do real.

É sobre este pressuposto que David Santos construiu o programa curatorial da 13.ª Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira (BF16), subordinada ao tema Arquivo e observação, que foi inaugurada este sábado.

“O arquivo, especialmente o fotográfico, é uma hipérbole que urge identificar, isto é, ordenar e classificar, pois no arquivo visual que desenvolvemos ou testemunhamos somos sugados pela tarefa impulsiva de uma espécie de inventariação geral, na esperança vã, talvez, de significar a vida para além da sua efemeridade”, escreve David Santos no jornal divulgado no momento da inauguração.

“Estamos agora muito distantes da captação do instante de um Cartier-Bresson, mas mais ainda do registo simplista da selfie”, explicita ao PÚBLICO, por telefone, o curador da bienal, a justificar a pertinência do tema da edição deste ano.

Com uma renovação curatorial e uma ambição nova na cidade, e no país, esta bienal que nasceu em 1989 e tem passado por diferentes fases espalha-se este ano por 15 espaços, desde os mais convencionais – museu, biblioteca, galerias – aos mais inesperados – cafés, hotéis e até casas particulares... Ao todo, são 15 exposições a mostrar trabalhos de 30 artistas – entre as quais cinco encomendas feitas para observar Vila Franca de Xira a partir de perspectivas diversas, mas sempre com a matriz do olhar do artista. “Estamos a trabalhar no paradigma do instantâneo, e os artistas fazem-no de uma forma diferente, procuram a profundidade das imagens, percebem se o arquivo que fazemos com elas nos permitem ou não percebem melhor a realidade”, diz David Santos.

Depois de uma primeira experiência curatorial na bienal de 2012, quando era director do Museu do Neo-Realismo – onde apresentou fotografia de André Cepeda e uma instalação de vídeo e fotografia de Nikolai Nekh –, David Santos – que foi director do Museu do Chiado, em Lisboa, e que depois já de ter iniciado a preparação da bienal de Vila Franca de Xira deste ano foi nomeado subdirector-geral do Património – assume este ano um programa mais ambicioso, para o qual convocou/convidou dois outros curadores: Margarida Mendes e Bruno Leitão.

“Interessava-me inscrever os olhares novos de uma nova geração de curadores, que trazem também consigo novos artistas”, justifica o curador-geral. Assim, Margarida Mendes seleccionou trabalhos de André Sousa, do colectivo de vídeo Cem Raios t’Abram, da dupla !Von Calhau e de Mumtazz + Fernando Lemos (distribuídos pelo Museu Municipal e pelo bar Flor do Tejo). Bruno Leitão mostra obras de Salomé Lamas (Biblioteca Municipal), Mónica de Miranda (Galeria Paulo Nunes) e dos Left Hand Rotation, um colectivo espanhol que é o único convidado estrangeiro, mas que "tem trabalhado com grande proximidade com Portugal", justifica David Santos.

Os convidados do curador-geral da bienal são Daniel Blaufuks, José Maçãs de Carvalho, José Pedro Cortes e Patrícia Almeida, com exposições individuais, e também João Tabarra, Nuno Cera, Pauliana Valente Pimentel, João Onofre, Ana Rito, Vítor Pomar, João Grama, Vasco Araújo, Susana Mendes Silva, António Júlio Duarte, Catarina Botelho, Rui Toscano, Júlia Ventura, Eduardo Matos, Ana Rito, Rui Calçada Bastos, Luísa Baeta, João Paulo Feliciano e Rodrigo Oliveira.

Novidade na edição deste ano é a criação do Prémio BF16, a acrescentar aos dois já existentes de temática local – Concelho e Tauromaquia. Para o primeiro, um conselho de curadores fez já uma selecção de dez portefólios, que serão expostos a partir de 19 de Novembro, e depois avaliados por um júri, com o vencedor a ser anunciado no início de Janeiro – a bienal decorre até ao dia 22 desse mês.

15 exposições

Vítor Pomar

- Pavilhão Multiusos

Daniel Blaufuks

- Casa na Rua João de Deus

Eduardo Matos

- Hostel DP

Rodrigo Oliveira

- Escadaria do salão nobre da Câmara

José Maçãs de Carvalho e Salomé Lamas 

- Biblioteca Municipal

André Sousa, Cem Raios t`Abram e !Von Calhau

- Bar Flor do Tejo

Pauliana Valente Pimentel, João Tabarra, Ana Rito, João Onofre, Rui Toscano, Vasco Araújo e Mumtazz + Fernando Lemos

- Museu Municipal

João Paulo Feliciano

- Mercado Municipal

António Júlio Duarte, João Grama, Rui Calçada Bastos, Susana Mendes Silva, Nuno Cera e Catarina Botelho

- Museu do Neo-Realismo

Mónica de Miranda

- Galeria Paulo Nunes

Patrícia Almeida + David-Alexandre Guéniot

- Casa na Rua Dr. Miguel Bombarda

Left Hand Rotation

- Café Puro

José Pedro Cortes

- Clube Vilafranquense

Júlia Ventura

- Casa na Rua Sacadura Cabral

Luísa Baeta

- Lezíria Parque Hotel

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