Há uma cobra com "um olho que tudo vê" na Pensão Amor

A obra estará na fachada durante o próximo ano e quer inspirar o espírito aventureiro de quem passa pela Pensão Amor, em Lisboa.

A instalação será dinâmica, com luzes durante a noite
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A instalação será dinâmica, com luzes durante a noite DR

É “sem medo” que a mais recente obra do Atelier Contencioso irá ocupar durante um ano a fachada da Pensão Amor, no Cais do Sodré, Lisboa. A instalação assume a forma de uma cobra, de cores e texturas que distinguem a assinatura de quatro artistas plásticas: Ana Velez, Joana Gomes, Maria Sassetti e Xana Sousa.

A cobra destaca-se da fachada cor-de-rosa com conjuntos de dez escamas personalizadas por cada artista “que são quase obras de arte individuais”, conta Ana Velez. Entre brilhos, neon, luzes que mudam durante a noite e um olho que também se move, “numa espécie de George Orwell que tudo vê”, o corpo do animal  viaja entre o verde e o grená, ondulando entre as janelas de um dos bares mais famosos da “Rua Rosa”. Com esta escultura, que tem como mote Sine Metu - Sem Medo, o lema da marca de uísque irlandês Jameson, que patrocina a obra - as quatro artistas querem inspirar quem por ali passa a adoptar uma filosofia e um estilo de vida associados à liberdade e à independência. Curiosamente, a peça concretizada pelas quatro mulheres baseia-se na lenda de um marinheiro irlandês que chegou a Lisboa com uma bebida reservada ao universo masculino. Destemida, uma meretriz que se cruzou com o marinheiro ignorou a restrição e bebeu “a bebida proibida”. O amor não durou e depois de o procurar durante 150 luas, a mulher ficou com o corpo coberto por penas e escamas, transformando-se em cobra.  

Menos trágica e mais inspiradora, a instalação tridimensional de chapas de alumínio da cobra, com “um ar sedutor, icónico” é uma metamorfose que pretende “ser sofisticada e exuberante e não cair no cliché no que se faz às fachadas dos edifícios”, explica Joana Gomes. As artistas acreditam que a dualidade noite – dia e a dinâmica de projecções de luz da peça, que demorou um ano a estar concluída, é o que mais a distingue.

A Pensão Amor, instalada num edifício pombalino do século XVIII, onde funcionava um prostíbulo, surge como “um sítio icónico pelo seu ambiente e por encarar um espírito que não teve medo de arriscar e pegar num cenário burlesco, recriando um dos antigos bordéis da cidade”, explica um dos representantes da marca irlandesa.

Maria Sassetti sublinha que este tipo de intervenções são cada vez mais apreciadas pelas diferentes gerações e elogia a recepção a este tipo de intervenções na capital portuguesa. O patrocínio das marcas também foi elogiado pelas artistas, vistos comos “mecenas” da arte e cultura e que tornam possível a concretização destes projectos e exposições. A marca vai continuar a investir na sua promoção através de manifestações artísticas e em Novembro anunciará novidades fora de Lisboa.

Juntas desde Fevereiro de 2015 num atelier localizado no quarto piso do Lx Factory, mas mantendo a criatividade pessoal de cada uma, esta é a primeira obra de arte assinada em conjunto pelas quatro artistas.