Três militares mortos em incêndio num avião da Força Aérea no Montijo

Outros quatro militares, de um total de sete que constituíam a tripulação do C-130, ficaram feridos, um deles com gravidade. Aparelho incendiou-se na pista da base aérea do Montijo e já foi aberto um inquérito para averiguar as causas.

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Base aérea do Montijo Nuno Ferreira Santos

Um acidente com um avião da Força Aérea Portuguesa (FAP), um C-130H, teve lugar nesta segunda-feira, pelas 12h, na base aérea do Montijo. Fonte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que adiantou que o avião se terá incendiado quando estava na pista e se preparava para descolar para a base de Beja, revelou que pelo menos três militares morreram carbonizados dentro do aparelho. Outros quatro, que integravam a restante tripulação – que somava um total de sete elementos –, ficaram feridos, um deles com gravidade, confirmou ao final do dia, a Força Aérea em comunicado.

Os feridos foram assistidos no local e depois encaminhados para unidades hospitalares, indicou a FAP, que adiantou que o acidente ocorreu durante uma missão de treino. 

Apesar do acidente ter ocorrido pelas 12h, o Ministério da Defesa e a FAP só adiantaram informações no comunicado cerca de oito horas depois do sucedido, por volta das 20h. O ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, esteve reunido com o Chefe de Estado Maior da Força Áerea, entre as 18h e as 20h, para acompanhar os procedimentos, afirmou ao PÚBLICO fonte do Ministério da Defesa. 

Também ao início da noite, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou pesar pelas três mortes “dos militares que faleceram ao serviço de Portugal” e apresentou condolências aos familiares das vítimas, através de uma nota no site da presidência. Marcelo Rebelo de Sousa apresentou ainda a sua solidariedade para com os amigos e companheiros das vítimas e desejou um “célere restabelecimento dos militares feridos.”

São desconhecidas, para já, as causas do acidente, razão pela qual a FAP abriu um inquérito conduzido pela Comissão Central de Investigação da Força Aérea. Este ramo das forças armadas decretou luto e garantiu que está a ser prestado o apoio necessário aos familiares e amigos das vítimas.

A Protecção Civil foi alertada para o acidente pelas 12h20, de acordo com o site oficial daquela entidade. Pelas 13h50, estavam no local 49 operacionais envolvidos no socorro e 16 viaturas de apoio. Também vários elementos dos Bombeiros Voluntários do Montijo foram enviados para aquela base aérea cujo plano de emergência terá sido activado.

O INEM também enviou equipas para o local, pelas 12h16, depois de ter visto as primeiras notícias sobre o acidente nas televisões, adiantou fonte oficial do instituto ao PÚBLICO. Entre os meios enviados contam-se uma viatura médica de emergência e reanimação do Hospital do Barreiro, uma ambulância de Alcochete e três do Montijo.

O C-130 é usado em operações de busca, transporte e patrulhamento

A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) lamentou entretanto o sucedido na sua página no Facebook. "A AOFA expressa  profunda consternação pelo sucedido e que terá tido como trágica consequência diversas vítimas entre os nossos camaradas”, escreveu aquela associação.

A “FAP dispõe de todos os mecanismos adequados à reacção e tratamento altamente profissional deste tipo de situações que, ao que sabemos, terão sido imediata e cabalmente activados”, acrescentou ainda a estrutura.

O Lockheed C-130 H / H-30 Hercules é um aparelho especialmente vocacionado para a operações de busca e salvamento e transporte. Segundo a FAP, as “excepcionais características operacionais (robustez, versatilidade, capacidade, raio de acção e autonomia)” do aparelho “garantem à Força Aérea Portuguesa a capacidade para a realização de missões de transporte aéreo táctico e transporte aéreo geral, de patrulhamento marítimo e de busca e salvamento, apoio logístico às Forças Armadas Portuguesas" e à NATO, e também o apoio a operações de combate a incêndios florestais. A Força Aérea Portuguesa possui três C-130H-30.