Conselho de Veteranos do Porto retira apoio à garraiada

Falta agora pronunciar-se a Federação Académica, que antes quer ouvir as Associações de Estudantes sobre a realização da garraiada na Queima das Fitas.

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Foi lançada uma petição pelo fim da garraiada, que já recolheu 5500 assinaturas. Marco Maurício

O Conselho de Veteranos anunciou, esta terça-feira em comunicado, que a garraiada da Queima das Fitas do Porto será suspensa. O Magnum Consillium Veteranorum (MCV) da Academia do Porto fala em “fraca adesão dos estudantes a esta actividade e queda da tradição tauromáquica” para sustentar a decisão tomada.

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O Conselho de Veteranos anunciou, esta terça-feira em comunicado, que a garraiada da Queima das Fitas do Porto será suspensa. O Magnum Consillium Veteranorum (MCV) da Academia do Porto fala em “fraca adesão dos estudantes a esta actividade e queda da tradição tauromáquica” para sustentar a decisão tomada.

Tomé Duarte, representante do MCV, disse que esta decisão teve em conta as demonstrações de indignação que ocorreram no ano passado, quando várias Associações de Estudantes manifestaram o seu desagrado junto do Conselho. A decisão do Conselho já foi comunicada à Federação Académica do Porto (FAP) uma vez que cabe às duas entidades a organização dos eventos.

Daniel Freitas, presidente da FAP, reafirma que a garraiada é resultado do trabalho conjunto das duas entidades. Mas antes da Federação se posicionar publicamente relativamente a este assunto, quer ouvir todas as Associações de Estudantes, ainda que admita que a opinião das AE no que toca à garraiada é "tendencialmente negativa". "Em Março certamente discutiremos isto", afirmou o Presidente da FAP, referindo-se à Assembleia Geral da Federação. A posição do Conselho de Veteranos será tido em conta na tomada de decisão da Federação.

Foi lançada há duas semanas uma petição que pedia o fim desta actividade integrada nas festividades da Queima, que entretanto já recolheu mais de 5500 assinaturas. As duas estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto que tiveram a iniciativa afirmaram ao PÚBLICO que “a adesão à garraiada é cada vez menor e há mais gente a posicionar-se contra ela”, e esperavam que as Associações de Estudantes das várias faculdades da Universidade do Porto ouvissem os alunos que representam junto da Federação Académica. “Esta é a primeira vez que a comunidade académica portuense tem oportunidade para se fazer ouvir sobre este assunto”.

As duas peticionárias estão confiantes e esperançosas no que toca à Assembleia Geral, acreditam que vá haver "um grande desequilíbrio nas votações" a favor do fim da garraiada. Relativamente às Associações de Estudantes, Sónia Marques diz que não têm conseguido contactar com a maioria delas, mas sentem que a tendência será de oposição
à garraiada. "A petição só veio materializar o desagrado dos estudantes".

Texto editado por Ana Fernandes