Maria de Belém: "Socialista candidata, sou eu!”

Ex-ministra justifica as razões da sua candidatura e afasta que ela tenha a ver com qualquer “sobressalto cívico tardio”.

Maria de Belém no jantar-comício deste domingo em Arcos de Valdevez
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Maria de Belém no jantar-comício deste domingo em Arcos de Valdevez Adriano Miranda
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A candidata presidencial Maria de Belém declarou este domingo que ela é a única candidata do Partido Socialista. “Socialista candidata, sou eu!”, proclamou a ex-presidente do PS.

“Estive em todas as grandes lutas do Partido Socialista, estive na escolha e na eleição de vários secretários-gerais, uma vez de um lado, outra vez do outro, e foi isto que fez do PS um grande partido da diversidade e da tolerância e, portanto, socialista candidata, sou eu!”, avisou num recado certeiro a António Costa, num jantar-comício em Arcos de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo.

Aplaudida por diversas vezes, a candidata puxou dos galões para justificar que tem legitimidade para dizer que a candidata do PS é ela. “Todas as pessoas que aqui estão e muitas das que estão lá fora sabem que mesmo no Governo eu nunca exerci as minhas funções com sectarismo, com fechamento às outras formas de pensamento e às outras ideologias, porque quem é Governo é Governo de Portugal, não é o Governo de um partido”, disse.

Um pouco antes, tinha explicado por que é que decidiu candidatar-se ao mais alto cargo da nação, revelando que o fez não por que tenha tido “um sobressalto cívico tardio” ou “por que precise de lugares”.

“Entendi candidatar-me e pôr ao serviço das portuguesas e dos portugueses aquilo que foi o meu percurso de vida, aquilo que eu fiz, a minha biografia — e nada foi inventado na minha biografia, está tudo patente e claro e pode ser tudo escrutinado —, na defesa do interesse nacional em primeiro lugar, do interesse público sobre o interesse privado e da indispensabilidade de nós olharmos para a organização e para a participação cívica dos cidadãos organizada como um enorme bem que pode caminhar a par do interesse público para satisfazer esses objectivos de realização do interesse público”, declarou.

Antes de jantar com centena e meia de apoiantes em Arcos de Valdevez, elogiou o poder local e, perante uma plateia onde havia autarcas e ex-autarcas, aproveitou para dizer que votou a favor do referendo sobre a regionalização. “Não tendo nós tido a aprovação do ‘sim’ no referendo sobre a regionalização, o que ainda impede Portugal de ser mais assimétrico tem sido o poder local democrático, uma conquista do 25 de Abril”, afirmou ainda a socialista. A propósito, apontou o exemplo de alguns países da União Europeia que conseguiram, “com base numa regionalização competente, equilibrada, contrariar os movimentos que têm tendência para reforçar o que é forte e para enfraquecer o que é fraco”.

Depois deteve-se nas preocupações que o Presidente da República deve ter, particularmente em épocas de crise. Porquê? “Porque [nessas alturas] todos os abusos são possíveis — as pessoas mendigam um emprego e uma colocação.” “É nestas alturas que o Presidente tem que interpretar os sinais e impedir que eles aconteçam através de uma intervenção pedagógica”, defendeu.

O Presidente, reforçou, “deve impedir que se aproveitem as épocas de crise para explorar os mais frágeis, sejam eles as mulheres, sejam eles os jovens, sejam eles a população activa, cujos rendimentos foram comprimidos, porventura, para além daquilo que seria aceitável”. E concluiu esta ideia, frisando que o Presidente tem de estar atento e intervir sempre que verifique que “existem abusos intoleráveis”.

O ex-presidente da Câmara de Melgaço e actual secretário-geral da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Rui Solheiro, defendeu que “Maria de Belém é a candidata natural do PS”, dando o tom à intervenção da ex-ministra. “Vamos ao combate”, disse.