Vinny tem 13 anos e vive num centro de detenção juvenil

Fotogaleria

"Quero ir para casa" ("I want to go home") foram as palavras de Vinny, de 13 anos, que deram título ao projecto da jovem fotógrafa de Los Angeles Isadora Kosofsky. O adolescente foi encarcerado por ter esfaqueado o homem que atacava fisica e brutalmente a sua mãe. "Quando a minha mãe estava a ser espancada tive muito medo, mas queria defendê-la. Estou farto de ver a minha mãe magoada". Foram estas as palavras que Vinny partilhou com a fotógrafa, que decidiu documentar este caso por sentir que o Vinny e ela têm "traumas de infância semelhantes". Confessou, em entrevista ao P3: "Identifico-me com a dureza de ser exposta à condição humana ainda muito nova. Acho que com o meu documentário tento registar o paradoxo do amor-perda que me é tão familiar". Isadora demorou anos até obter autorização, aos 18 anos, para documentar dentro de estabelecimentos de detenção juvenil. Assim que conheceu Vinny, no Centro de Detenção Juvenil de Albuquerque, nos Estados Unidos, sentiu o que denominou de "ligação imediata". "Sentei-me com ele e ele começou a chorar, falando-me do seu desejo de proteger a mãe e descrevendo a sua relação próxima com o irmão mais velho David." Percebeu então que o laço entre eles era tão forte que "para documentar a vida de Vinny seria impossível não incluir a de David". "Depois de terem crescido em sofrimento e abandono, o Vinny e o David queriam reaver laços de amor e uma família. A relação que têm é o único conforto de ambos. Vinny descreve David como uma figura paternal e David vê em Vinny a única pessoa que gosta verdadeiramente dele." Documentar as suas vidas não foi fácil. "O Vinny mostrou-se imediatamente receptivo à minha presença." O mesmo não aconteceu com David. "Sabia que seria um longo processo antes que pudesse fotografar momentos do David sem que usasse a sua "máscara", como costumava chamar-lhe. Demorou mais de um ano até ganhar a sua confiança. Tinha um medo intenso do abandono, que eu tirasse fotografias dele e nunca mais voltasse. Tive de mostrar-lhe que era de confiança, sincera, 'real', como ele costumava dizer." Todo este investimento Isadora justifica com a vontade que tem de retratar Vinny e David de uma forma humana, "de uma forma que levasse os que vêem as imagens a sentir que aquelas pessoas podiam ser seus amigos, familiares, filhos". "Existe muita fotografia que documenta homens encarcerados, mas muito pouca mostra realmente a pessoa que está por detrás dessa etiqueta." O projecto tem um lugar especial na vida da fotógrafa. Durante a sua adolescência teve um grupo de amigos "cuja delinquência resultou em intervenção policial". "Alguns já tinham estado detidos", prossegue, "outros estavam em liberdade condicional. Encontrávamo-nos todos num centro comercial e contavam-me as suas experiência dentro do sistema judicial juvenil. Tornei-me particularmente próxima de um deles e começamos a passar muito tempo juntos fora do nosso grupo. Infelizmente, ele foi preso e perdemos contacto. Foi então que comecei a desenvolver novos projectos e a escrever para as instituições de detenção. Há já quase quatro anos que Isadora documenta as vidas de Vinny e David. Vinny tem hoje quase 17 anos, está prestes a ser pai, e vive finalmente na companhia do seu irmão mais velho. Isadora Kosofsky recebeu um Louvor da Ian Parry Scholarship da presente edição de 2015. Ana Maia

Sugerir correcção