Tutela não sabe quantas obras estão perdidas

Chiado tinha previsto um levantamento para publicação posterior de um catálogo raisonné da Colecção SEC.

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O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, como o director-geral do Património Cultural, Nuno Vassallo e Silva, e a vereador da Cultura de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, na inauguração da nova ala do Museu do Chiado Enric Vives-Rubio

Na sequência da consulta dos dossiers com o elenco de obras e o historial da Colecção SEC, o PÚBLICO remeteu à Direcção-Geral das Artes (DGA) uma série de perguntas. Nomeadamente quantas obras da colecção estão por localizar e que percentagem do total representam. É uma das várias questões a que a tutela não sabe responder. Outra é o número de obras deste acervo.

“Havendo diferentes núcleos, momentos de aquisição, entidades com depósitos, empréstimos, protocolos relativos a obras de arte contemporânea, etc, o que conseguimos apurar é que em várias informações internas se fala, reiteradamente, em 1115 obras e apenas uma vez se fala em 1271. Com mais algum tempo, poderíamos confirmar com mais precisão”, lê-se no email que o novo director-geral das Artes, Carlos Moura-Carvalho fez esta quinta-feira chegar ao PÚBLICO.

Da mesma forma, a DGA não sabe precisar quando foi actualizada pela última vez a informação constante no “dossier verde” relativo à colecção. “Pelos dados que estão em nossa posse, foi actualizada pela última vez em 2008 na sequência da elaboração de um relatório por grupo de trabalho constituído, nesse ano, pela DGA e pelo então Instituto dos Museus e da Conservação”, lê-se no mesmo email. Que acrescenta: “Desconhecemos se foi, entretanto, nomeadamente nos últimos dois anos com a afectação à DGPC, efectuada uma nova actualização.”

Não é claro porque ao longo das últimas semanas qualquer informação existente pudesse não passar entre os dois organismos, ambos tutelados pela Secretaria de Estado da Cultura. O PÚBLICO sabe que terá havido algum trabalho feito pela DGPC e que este terá sido feito chegar ao Museu do Chiado. Não porém no sentido de localização de peças. Essa seria uma etapa de trabalho agendada pelo Chiado para o período de preparação de um catálogo raisonné da Colecção SEC previsto para o pós-exposição inaugural da nova ala do museu.

Também no Chiado poderão estar três “dossiers” relativos à colecção cuja consulta o PÚBLICO pediu inicialmente à DGPC e depois à DGA. O “dossier verde” e o “dossier cinzento” da DGA foram os únicos a que foi dado acesso.

Em relação aos documentos constantes do “dossier cinzento”, com o historial de protocolos relativos à colecção SEC, a DGA não consegue também esclarecer a ausência da lista de obras em depósito por 30 anos em Serralves. “Não podemos confirmar se essa lista não está anexa ao protocolo celebrado com a Fundação de Serralves em 1990 e revisto em 1994, através de uma Adenda. Não obstante, em finais de 2007, a Fundação de Serralves realizou um projecto de inventariação e divulgação do seu acervo, tendo resultado uma listagem com o total de 552 obras identificadas em depósito”, lê-se no email de Carlos Moura-Carvalho.

Já em relação à antiga Colecção IAC, a DGA afirma estar “em depósito no Centro Cultural de Belém”: “Da Colecção IAC constam 37 obras de artistas nacionais e internacionais que estão em depósito no CCB, ao abrigo do protocolo celebrado em 1999, que tinha apensa uma lista de todas as obras adquiridas à data e as aquisições subsequentes também estão em depósito no CCB ao abrigo do mesmo protocolo.”

O email não esclarece a que instalações do CCB se refere. O PÚBLICO sabe no entanto tratarem-se das reservas do antigo Centro de Exposições, agora Museu Berardo, sob administração da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Colecção Berardo. Uma entidade jurídica diferente da Fundação Centro Cultural de Belém e com património próprio, decorrente da parceria estabelecida entre o Estado e um privado – o coleccionador Joe Berardo.