Barro negro de Bisalhães é candidato a Património Imaterial da UNESCO

No início do mês a louça negra de Bisalhães foi inscrita no inventário nacional do Património Cultural Imaterial.

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Foto de Duarte Carvalho – Colecção de Postais editados pelo Centro Cultural Regional de Vila Real em 1999

Actualmente são sete os oleiros de Bisalhães que ainda trabalham o barro, quase todos idosos, num ofício duro, exigente, com recurso a processos ancestrais. As peças que nascem pelas mãos destes artesãos são depois cozidas em velhinhos fornos abertos na terra, onde são queimadas giestas, caruma, carquejas e abafadas depois com terra escura, a mesma que lhe vai dar a cor negra.

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Actualmente são sete os oleiros de Bisalhães que ainda trabalham o barro, quase todos idosos, num ofício duro, exigente, com recurso a processos ancestrais. As peças que nascem pelas mãos destes artesãos são depois cozidas em velhinhos fornos abertos na terra, onde são queimadas giestas, caruma, carquejas e abafadas depois com terra escura, a mesma que lhe vai dar a cor negra.

E é “para salvar” esta arte que a Câmara de Vila Real está a preparar uma candidatura para que a olaria negra seja incluída na lista do Património Cultural Imaterial que necessita de salvaguarda urgente da UNESCO, apresentando plano de salvaguarda desta arte que remonta, pelo menos, ao século XVI.

“Pretendemos salvaguardar um património imaterial de enorme valor que está em vias de extinção como consequência das alterações sociais e económicas do meio que envolve a laboração do barro preto de Bisalhães”, afirmou hoje à agência Lusa o presidente da autarquia, Rui Santos.

O autarca salientou que o município pretende avançar com “medidas de salvaguarda, com formação, com divulgação, com incremento económico com valor acrescentado do produto" e "o reconhecimento social daqueles que trabalham no barro”.

A câmara pretende dar novo impulso a todas as acções de reabilitação e promoção deste património imaterial e eliminar o risco da sua extinção e, ao mesmo tempo, lutar também pela dignificação das condições de trabalho dos oleiros atuais e pela rentabilidade desta arte.

Alguns destes oleiros passam os dias em pequenos espaços construídos numa das entradas da cidade de Vila Real, onde vendem e, ao mesmo tempo, aproveitam também para irem moldando novas peças, que são depois cozidas nos fornos na aldeia que dá nome a esta olaria.

No início do mês, a louça negra de Bisalhães foi inscrita no inventário nacional do Património Cultural Imaterial.

Hoje, a Assembleia da República (AR) saudou por unanimidade e aclamação o reconhecimento pelo Estado português do processo de confecção da louça preta de Bisalhães como Património Cultural Imaterial e manifestou o seu apoio à iniciativa da Câmara Municipal de Vila Real de apresentar uma candidatura à UNESCO.

Esta iniciativa juntou todos os deputados eleitos pelo distrito de Vila Real, Ivo Oliveira e Agostinho Santa (PS) e Luís Leite Ramos, Pedro Pimentel e Manuela Tender (PSD).

No voto de saudação, a AR considerou que a “louça preta de Bisalhães representa um elemento singular e ancestral da olaria nacional devendo a sua notoriedade à cor negra, que realça as suas formas e o seu cariz único”.