Consórcio liderado por LNEC estuda efeitos de alterações climáticas na água

Inclusão da Transtejo e da Soflusa no perímetro das contas públicas teve um impacto de 22 milhões de euros no défice de 2012
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Inclusão da Transtejo e da Soflusa no perímetro das contas públicas teve um impacto de 22 milhões de euros no défice de 2012 NUNO FERREIRA SANTOS

Entidades de vários países, lideradas pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), obtiveram financiamento europeu de oito milhões de euros para a realização de previsões das mudanças climáticas e análise de formas de gerir os seus efeitos no ciclo da água.

O objectivo "é avaliar, de forma inovadora, os impactos das alterações climáticas no ciclo integrado da água, das águas superficiais, às subterrâneas ou costeiras, promovendo estratégias de gestão do risco e de medidas de adaptação", explica a coordenadora do consórcio, Rafaela de Saldanha Matos, do LNEC.

As estratégias a propor vão basear-se "numa lógica de diminuição de vulnerabilidades e de acréscimo da capacidade de resiliência do sistema", acrescentou a investigadora e directora do departamento de Hidráulica e Ambiente do LNEC.

O projecto conta com uma equipa de 70 elementos, de centros de investigação, autoridades da água, utilizadores, indústria e empresas, e vai seguir seis casos, três localizados no norte da Europa (Noruega, Holanda e Alemanha) e três no sul (Espanha, Portugal e Chipre).

Em Portugal, que vai receber dois milhões de euros do total, os parceiros são, além do LNEC, a EPAL, a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT), a Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) e a Sociedade Portuguesa de Inovação, e foi escolhida a zona da bacia do Tejo.

A EPAL é um grande utilizador do recurso hídrico para abastecer a cidade de Lisboa, utilizando águas superficiais, de Castelo de Bode, e algumas reservas subterrâneas, exemplificou a coordenadora do projecto.

O trabalho abrange um conjunto representativo de condições climáticas, de combinações de usos da água – desde o urbano, ao agrícola ou industrial –, tipologias de pressões e várias problemáticas – como inundações e secas, qualidade da água e poluição, ou conflitos no uso do recurso pelos diferentes sectores de actividade económica.

A diversidade pretende garantir a possibilidade de replicação das soluções desenvolvidas para outras regiões, nomeadamente na bacia do Mediterrâneo.

Rafaela de Saldanha Matos explicou que a vertente inovadora, técnica e científica, reflecte-se nos "métodos de previsão de cenários de alterações climáticas", para os próximos dez a 15 anos, com uma "resolução espacial muito fina, que pode ir até ao quilómetro", desenvolvido por especialistas de uma universidade de Berlim, e que permite ajustar a previsão a situações de planeamento muito específicas.

Esta informação vai permitir capacitar os decisores para actuarem em contextos e níveis geográficos regionais e locais, quando ocorrerem fenómenos meteorológicos extremos, de cheia ou seca, que afetem a quantidade e qualidade de água disponível, e for necessário definir prioridades de utilização.

"Junta-se a previsão com a situação que vai acontecer de conflitos de uso da água para diferentes agentes e sectores de actividade económica, o que é uma coisa extraordinariamente importante", defendeu a especialista.

E alertou que "se não estiverem previstos os modos de diálogo e consenso razoável em conflito de uso, é muito difícil, em cima do acontecimento, dirimir estes assuntos".

O projecto cria um fórum onde os problemas vão ser colocados e explicados e haverá colaboração para o processo de solução, dos cientistas com os intervenientes das restantes entidades, salientou Rafaela de Saldanha Matos.