Acordo de Minsk não trava combates nem cepticismo internacional

Disparos de artilharia provocaram pelo menos dois mortos na região Lugansk. Comissão Europeia incumbida de preparar novas sanções contra a Rússia para o caso de acordo fracassar.

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Soldado ucraniano numa pausa dos combates na região de Debaltseve Gleb Garanich/Reuters

Jornalistas da BBC em Donetsk, a grande cidade da região do Donbass, contam que o som da artilharia voltou a ouvir-se pela manhã, ainda que com menor intensidade do que nos dias anteriores. O Exército ucraniano ocupa várias posições nos arredores da cidade e, a meia centena de quilómetros para noroeste, os rebeldes mantêm o cerco a Debaltseve, um importante nó ferroviário, já quase esvaziada de habitantes, mas guardada por milhares de soldados.

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Jornalistas da BBC em Donetsk, a grande cidade da região do Donbass, contam que o som da artilharia voltou a ouvir-se pela manhã, ainda que com menor intensidade do que nos dias anteriores. O Exército ucraniano ocupa várias posições nos arredores da cidade e, a meia centena de quilómetros para noroeste, os rebeldes mantêm o cerco a Debaltseve, um importante nó ferroviário, já quase esvaziada de habitantes, mas guardada por milhares de soldados.

Durante a noite, houve também novos bombardeamentos nas imediações Lugansk, cidade próxima da fronteira com a Rússia. O chefe da administração provincial, leal ao governo de Kiev, anunciou que duas pessoas morreram e seis ficaram feridas na cidade de Shchastya, num ataque que atribuiu aos rebeldes. "Um obus caiu num café onde estavam muitas pessoas", adiantou Hennadi Moskal, adiantando que as bombas danificaram também várias infra-estruturas na cidade.

Mais de 5300 pessoas morreram no conflito, iniciado em Abril do ano passado, e nas últimas semanas cresceu o número de baixas entre os civis.

“A noite [na região] de Donbass não foi tranquila. O inimigo bombardeou posições das forças da operação antiterrorista com a mesma intensidade dos dias anteriores”, denunciou um comunicado do Exército ucraniano, que na véspera tinha acusado Moscovo de enviar meia centena de blindados na mesma altura em que o Presidente Vladimir Putin participava nas negociações em Minsk. Kiev confirma que os combates mais intensos se travam em Debaltseve, adiantando que só no último dia oito militares morreram e outros 34 ficaram feridos.  

A Rússia veio entretanto anunciar que Putin permanece em contacto com a chanceler alemã, Angela Merkel, e os presidentes da França e Ucrânia, François Hollande e Petro Poroshenko, dizendo esperar que nos próximos dias os quatro voltem a juntar-se numa conferência telefónica.

O Governo russo, acusado por Kiev e os aliados ocidentais de apoiar com soldados e armas os rebeldes, disse esperar que “todos os pontos” do acordo negociado na madrugada de quinta-feira na capital bielorrussa sejam aplicados — além da trégua, o plano prevê a retirada do armamento pesado de uma zona tampão a ser criada em torno da linha de cessar-fogo e o restabelecimento das relações económicas entre Kiev e as regiões separatistas.

Mas na cimeira da União Europeia, realizada logo após o encontro de Minsk, ficou claro que mesmo os envolvidos nas negociações permanecem cépticos. Antes de deixarem Bruxelas, Hollande e Merkel avisaram que a UE pode aprovar novas sanções contra a Rússia caso o acordo não seja cumprido.

“Teríamos então de regressar ao procedimento que já todos conhecem, em que novas sanções são acrescentadas às que já estão em vigor”, disse Hollande. Merkel adiantou que os líderes dos Vinte e Oito pediram, por isso, ao presidente da Comissão Europeia que prepare um novo pacote de medidas a ser aplicadas caso o cessar-fogo não seja respeitado. Em contrapartida, se Moscovo cumprir o prometido, a UE irá levantar as medidas já em vigor, mas apenas à medida que os acontecimentos que lhes deram origem forem sendo resolvidos. “As próximas 48 horas serão cruciais”, sublinhou um diplomata europeu, citado pelo jornal britânico Guardian.

Os Estados Unidos saudaram também o desfecho da cimeira de Minsk, afirmando que “o acordo representa um passo potencialmente significativo com vista à resolução pacífica do conflito”. Mas um responsável da Administração norte-americana, citado pela Reuters, avisou os separatistas que “qualquer tentativa para conquistar terreno até sábado à noite vai minar seriamente o acordo”, adiantando que Washington está a fazer passar essa mensagem “nos termos mais fortes possíveis”. Apesar de apoiar a iniciativa diplomática franco-alemã, os EUA mantêm em cima da mesa a possibilidade de responder ao pedido de Kiev para o envio de “armamento defensivo” para reforçar o seu Exército.