A melancólica “catarse” de Júlio Dolbeth

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O ponto de partida foi "Le Spleen de Paris" de Baudelaire. Júlio Dolbeth queria falar de melancolia, desânimo, tédio existencial. Terminou com uma série de imagens, tendo o sangue como elemento recorrente, entre ilustrações e, curiosamente, pinturas, uma técnica que não costuma apresentar. A exposição "Spleen" conta "uma história". Ou "diferentes histórias". Há personagens, retratos de amigos, referências ao cinema, fragmentos narrativos — depende do visitante juntar os pedaços. É a primeira vez que o artista faz uma exposição individual na sua Dama Aflita, no Porto. E é também o primeiro grande trabalho a que Júlio se dedicou depois do doutoramento, que concluiu em Novembro do ano passado. "Houve bastante dedicação e deu para experimentar coisas novas", diz Júlio, ao telefone com o P3. Como a pintura: "Foi quase aquela ideia romântica do pintor dentro do atelier, de ter uma rotina por exemplo. A pintura é diferente do desenho, requer um maior investimento e agradou-me essa ideia." Baudelaire trouxe esse "imaginário". Não é uma "ruptura", avisa. "Pelo contrário." Talvez uma "catarse". Para ver até 14 de Março.

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