EUA ordenam reforço de segurança em aeroportos europeus e do Médio Oriente

Com o movimento jihadista em plena ebulição na Síria e no Iraque, administração Obama teme novas ameaças terroristas.

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Os EUA não revelam quais os aeroportos afectados Carl de Souza/AFP

O secretário de Estado da Segurança Interna, Jeh Johnson, anunciou na quarta-feira que as novas medidas de segurança vão começar a ser aplicadas “nos próximos dias”, sem revelar quais são os aeroportos afectados.

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O secretário de Estado da Segurança Interna, Jeh Johnson, anunciou na quarta-feira que as novas medidas de segurança vão começar a ser aplicadas “nos próximos dias”, sem revelar quais são os aeroportos afectados.

Este anúncio do Governo dos EUA acontece num momento de profunda instabilidade no Médio Oriente, com o movimento jihadista internacional em plena ebulição, após o anúncio da criação de um califado no Iraque e na Síria, pelos radicais do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (ISIS). Acontece também depois da prisão do principal suspeito do ataque ao consulado americano em Bengazi, na Líbia, no dia 11 de Setembro de 2012, que matou o embaixador americano John Christopher Stevens.

Nos últimos meses, os peritos americanos da luta antiterrorista também revelaram ser provável que os extremistas tenham desenvolvido novas estratégias para contornar os controlos nos aeroportos, nomeadamente desenvolvendo técnicas de fabrico de explosivos indetectáveis. A Reuters cita responsáveis americanos que disseram existir cada vez mais informação sobre uma operação conjunta de membros da Al-Qaeda na Síria e no Iémen para desenvolver bombas capazes de evitar a detecção e com capacidade para fazerem um avião despenhar-se.

No domingo, o Presidente americano Barack Obama avisou que os europeus “treinados” e envolvidos na jihad na Síria e no Iraque são uma ameaça para os Estados Unidos, uma vez que os seus passaportes lhes permitem entrar no país sem visto. “Temos que melhorar a nossa vigilância e a nossa informação”, disse Obama.

Para explicar a ausência de mais informação sobre as novas medidas e os aeroportos afectados., um responsável americano da segurança interna disse à AFP que “todas as informações específicas são sensíveis": "Não queremos divulgar elementos sobre os níveis de segurança àqueles que nos querem fazer mal”.

O mesmo responsável recusou responder às perguntas sobre a existência de uma ameaça específica descoberta pelos serviços de informação relacionada com o dia nacional da América, que se celebra no dia 4 de Julho, esta sexta-feira. O que disse foi que a Agência Americana de Transportes Aéreos (TSA) “fará os ajustamentos necessários à evolução constante da ameaça”, sublinhando que esses ajustamentos incluem medidas “já utilizadas e novas”, como “controlos suplementares de pessoas e os seus bens”.

Os viajantes são aconselhados “a chegar ao aeroporto com tempo suficiente para passar os controlos e garantirem que não perdem os seus voos”.
A ameaça dos jihadistas europeus concretizou-se quando Mehdi Nemmouche, um franco-argelino que tinha combatido ao lado dos islamistas radicais na Síria durante um ano, matou quatro pessoas num tiroteio no museu judaico de Bruxelas, no dia 24 de Maio.