Apenas metade dos idosos aproveitaram vacinas gratuitas da gripe

Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) estima que 49,9% dos portugueses com 65 anos ou mais receberam vacinação antigripal sazonal na época 2013-2014. Direcção-Geral de Saúde esperava mais de 60%

Para o sector privado (sobretudo farmácias) foram importadas este ano 530 mil vacinas
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A seguir aos idosos, foram os doentes crónicos quem mais tomaram vacinas anti gripe RUI GAUDÊNCIO

O relatório do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), divulgado esta terça-feira, aponta para uma estimativa de 49,9% de cobertura vacinal da gripe sazonal entre os idosos portugueses na última época de 2013-2014. Os valores INSA confirmam um aumento face às épocas anteriores, mas ficam abaixo das expectativas da Direcção-Geral de Saúde (DGS) que pretendia atingir uma taxa de 60%. Na população em geral e nos doentes crónicos a adesão à vacina manteve-se muito próxima dos valores registados nos anos anteriores.

Segundo o relatório divulgado pelo INSA que resume os resultados de um inquérito realizado em Dezembro de 2013, a cobertura da vacina contra a gripe continua a aumentar na população mais idosa, tendo-se registado este ano um aumento de 6,5 pontos percentuais face à época anterior. Aliás, este crescimento nos últimos anos representa uma inversão da tendência geral de diminuição da administração de vacinas que se verificava desde a época 2009-2010 em Portugal e também na União Europeia. O aumento coincide também com a opção, tomada em 2012,  de garantir esta vacina de forma gratuita aos portugueses com mais de 65 anos. O objectivo é atingir a taxa proposta pela OMS de 75% da população idosa imunizada.

As estimativas do INSA ficam, no entanto, abaixo das expectativas da DGS que esperava atingir uma taxa de vacinação superior a 60% entre os idosos. Um relatório do projecto Vacinómetro, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia e da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, informava em Dezembro que 62% dos portugueses com mais de 65 anos já tinha tomado a vacina da gripe. Mafalda Uva, uma das responsáveis pelo relatório do INSA jusitifica a discrepância com as "diferentes metodologias" empregues em cada estudo e afirma que os dados reais "variam entre ambas as estimativas". Contacada pelo PÚBLICO, fonte oficial da DGS diz que a cobertura vacinal da população da terceira idade na época 2013/2014 está estimada em, pelo menos, 57% - estimativa que "apresenta também limitações", ressalva.

A DGS avança que as cerca de 1,6 milhão de vacinas disponibilizadas através do Serviço Nacional de Saúde e das farmácias foram escoadas.

Ainda segundo o relatório do INSA, a cobertura da vacina antigripal na época 2013-2014 na população geral foi de 17,1%, sem diferença significativa face à época anterior (16,3%), revela o estudo epidemiológico, que constou de um inquérito realizado por entrevista telefónica à amostra de famílias ECOS (Em Casa Observamos Saúde), em Dezembro de 2013.

A seguir aos idosos, foram os doentes crónicos quem mais tomaram vacinas contra a gripe (32,8%) e, mais uma vez, a estimativa aproxima-se da época passada (28%). No relatório do INSA pode ler-se que “as estimativas revelam um acréscimo, estatisticamente não significativo, quando comparadas com as estimativas obtidas na época anterior (2012-2013)”.

A vacinação foi efectuada principalmente durante o mês de Outubro (61,1%) em Centros de Saúde (55,7%) e em farmácias (24,3%) e foi recomendada maioritariamente pelo médico de família ou médico assistente (em 75% dos casos) e apenas em 13,8% dos casos foi por iniciativa própria.

O estudo estima que 27,9% da população portuguesa tencione tomar vacinas contra a gripe na próxima época. A estimativa sobe no caso dos idosos para 53,5%. A DGS recomenda anualmente a vacinação antigripal de grupos com risco mais elevado de desenvolvimento de complicações associadas à gripe (idosos, grávidas grávidas com mais de 12 semanas de gestação, doentes crónicos e profissionais de saúde).

 
Texto editado por Andrea Cunha Freitas
 

Notícia actualizada às 18h45 com dados da Direcção-Geral de Saúde