Obama tranquiliza Europa de Leste e anuncia reforço da presença militar

À chegada à Polónia, o Presidente norte-americano anunciou que vai pedir ao Congresso 1000 milhões de dólares para um novo plano, destinado a "renovar as garantias" à Europa.

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O Presidente dos EUA pediu aos maiores países europeus que aumentem os seus gastos com a Defesa JANEK SKARZYNSKI/AFP

À chegada à Polónia, para o arranque de uma visita oficial de quatro dias, com passagens pela Bélgica e por França, Barack Obama anunciou que vai pedir 1000 milhões de dólares (734 milhões de euros) ao Congresso norte-americano. O objectivo é reforçar a presença rotativa norte-americana nos países do Leste da Europa, através de mais meios e ajuda no treino das forças armadas dos países da NATO.

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À chegada à Polónia, para o arranque de uma visita oficial de quatro dias, com passagens pela Bélgica e por França, Barack Obama anunciou que vai pedir 1000 milhões de dólares (734 milhões de euros) ao Congresso norte-americano. O objectivo é reforçar a presença rotativa norte-americana nos países do Leste da Europa, através de mais meios e ajuda no treino das forças armadas dos países da NATO.

Não é bem o que a Polónia e os países bálticos queriam ouvir, porque o Presidente dos EUA voltou a falhar qualquer compromisso de que esse reforço da presença militar será permanente – Barack Obama não foi mais longe do que dizer que Washington iria reavaliar a sua presença permanente na região.

Apesar do desejo de países como a Polónia, a Estónia, a Letónia e a Lituânia, não é de esperar que os mais poderosos membros da NATO aumentem a sua força de forma permanente. Por um lado, seria necessário que os países europeus invertessem a tendência de queda no investimento em Defesa, o que não parece provável nos próximos tempos; por outro lado, estacionar mais tropas e aviões nas proximidades da fronteira com a Rússia poderia levar ao agravamento da tensão no terreno.

A nova estratégia de Washington para tentar travar aquilo que considera ser a ameaça da Rússia à estabilidade no continente europeu tem um nome — Iniciativa para Renovar as Garantias à Europa –, e inclui o reforço dos exercícios navais no Mar Negro, às portas da Ucrânia e da Rússia, e no Mar Báltico, onde os países da região dizem temer uma possível ofensiva russa.

Na base deste plano está a ideia de interesse mútuo e de acção conjunta, que o Presidente dos Estados Unidos sublinhou na semana passada quando apresentou as novas orientações estratégicas do país para o envolvimento em crises internacionais.

"O nosso compromisso com a segurança da Polónia, bem como com a segurança dos nossos aliados no Centro e no Leste da Europa, é uma pedra basilar da nossa própria segurança, e é sacrossanta", afirmou Barack Obama à chegada ao Aeroporto Chopin, em Varsóvia.

Depois de uma referência ao quadro histórico das relações entre os Estados Unidos e a Polónia, o Presidente norte-americano foi directo ao tema mais importante do momento, e que irá dominar a sua visita à Europa: "Reforçámos também a nossa presença devido à situação actual na Ucrânia. Incluímos mais soldados e aviões F-16 nas missões rotativas na Polónia, o que vai ajudar as nossas forças a treinarem em conjunto e a apoiarem missões aéreas da NATO, e faz também parte do reforço da NATO no Centro e no Leste da Europa."

Mais tarde, já depois de um encontro com o Presidente polaco, Bronislaw Komorowski, Barack Obama repetiu o recado que tem dado às maiores potências europeias, com um novo apelo ao aumento dos gastos no sector da Defesa.

"Vemos um declínio continuado, e isso tem de mudar", disse o Presidente norte-americano, lançando críticas aos países que, na sua opinião, querem receber sem dar na mesma medida. "Querem ser membros de pleno direito quando se trata da sua defesa, o que significa que também devem contribuir. São coisas inseparáveis", afirmou Obama.

O mantra autoconfiante para consumo interno "Yes, we can" (Sim, conseguimos), que o ajudou a chegar à Casa Branca em 2008, dá agora lugar a um mais humilde "We can't do it alone" (Sozinhos não conseguimos), quando o assunto é resolver problemas fora de casa.

"Os Estados Unidos orgulham-se em suportar a sua quota-parte na defesa da aliança transatlântica", frisou. Mas os outros também têm de fazer a sua parte: "Sozinhos não conseguimos."

Antes de seguir para França, onde irá marcar presença nas comemorações do 70.º aniversário do Desembarque na Normandia, na sexta-feira, o Presidente norte-americano vai encontrar-se na quarta-feira com o recém-eleito Presidente ucraniano, Petro Poroshenko.

Mas o que Barack Obama desejava mesmo era que Poroshenko se reunisse com Vladimir Putin, e prometeu lançar esse desafio ao Presidente russo quando o encontrar, no final da semana. Para além do convite, Obama admite também transmitir a Putin que a Rússia "tem uma escolha a fazer": ou "respeita a soberania da Ucrânia", ou terá de enfrentar novas sanções.

"É isso que lhe direi se o vir publicamente. Foi isso que lhe disse quando falei com ele em privado."

É pouco provável que Vladimir Putin se reúna com Petro Poroshenko ou com Barack Obama, mas o Kremlin anunciou nesta terça-feira que já estão marcados encontros com o Presidente francês, François Hollande; com a chanceler alemã, Angela Merkel; e com o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron.