Gabriel García Márquez: "Os gigantes nunca morrem"

Reacções à morte do escritor colombiano, esta quinta-feira, aos 87 anos.

A morte de García Márquez, nos jornais de Bogotá, Colômbia
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A morte de García Márquez, nos jornais de Bogotá, Colômbia DIANA SANCHEZ/AFP

De governantes a escritores, um pouco por todo o mundo Gabriel García Márquez, que morreu esta quinta-feira, aos 87 anos, foi lembrado como uma personalidade a vários níveis notável. Algumas reacções:

Os gigantes nunca morrem
Juan Manuel Santos, Presidente da Colômbia

O Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, qualificou García Márquez como "o maior colombiano de todos os tempos", considerando que "os gigantes nunca morrem". O Presidente colombiano decretou três dias de luto nacional no país.

Como quem apresenta um mundo novo a uma criança
Dilma Rousseff, Presidente do Brasil

A Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, lamentou na quinta-feira a morte do escritor colombiano Gabriel García Márquez, através de uma mensagem colocada na sua conta na rede social Twitter. "Foi com tristeza que soube da morte do escritor colombiano Gabriel García Márquez. Dono de um texto encantador, 'Gabo' conduzia o leitor pelas suas Macondos imaginárias como quem apresenta um mundo novo a uma criança. Seus personagens singulares e sua América Latina exuberante permanecerão marcados no coração e na memória de seus milhões de leitores", escreveu Roussef.

Cem anos de amor pelo seu espírito eterno
Nicolás Maduro, Presidente da Venezuela

Gabriel García Marquez foi “um amigo sincero e leal dos líderes revolucionários que ergueram a dignidade da América de (Simón) Bolívar e (José) Martí", escreveu na sua conta no Twitter o presidente venezeualano, Nicolás Maduro.
A acompanhar a mensagem, Maduro adicionou uma fotografia, a preto e branco, de Gabriel García Márquez, acompanhado pelo ex-Presidente de Cuba, Fidel Castro.

Nicolás Maduro destacou ainda que "'Gabo' deixou gravada uma marca espiritual na nova era da (nossa) América, cem anos de amor pelo seu espírito eterno".

"Pertenceu à geração fundadora do jornalismo criador e comprometido com o direito do povo à sua felicidade", escreveu Maduro, ilustrando a mensagem com uma imagem em que se lê um pensamento do escritor: “A ética deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido ao ' moscardón' (mosca-varejeira)”.

Imaginação, clareza de pensamento e honestidade emocional
Bill Clinton, ex-Presidente dos EUA

O ex-Presidente norte-americano Bill Clinton manifestou "tristeza" pela morte de García Márquez, referindo que desde que leu "Cem anos de solidão", há mais de 40 anos, sempre ficou "assombrado" pela "imaginação, clareza de pensamento e honestidade emocional" do escritor. "Ele sempre soube captar a dor e a alegria da humanidade em cenários tanto reais como imaginários. Tive a honra de ser seu amigo e de conhecer o seu grande coração e mente brilhante por mais de 20 anos", disse Clinton.

O grande pilar da literatura latino-americana
Isabel Allende, escritora

A escritora chilena Isabel Allende afirmou na quinta-feira que sente uma "pena imensa" pela morte do escritor colombiano Gabriel García Márquez, sublinhando que a sua obra "é imortal". Isabel Allende disse, numa conferência de imprensa no Instituto Cervantes de Nova Iorque, que García Márquez "era um maestro para todos", e que todos os escritores latino-americanos contemporâneos foram influenciados pela sua obra. Foi "o grande pilar do boom da literatura latino-americana" a nível internacional, disse. Isabel Allende, que disse que não chegou a conhecer pessoalmente García Márquez mas afirmou: "Não sou amiga dele, mas a sua obra é minha amiga."

Sua obrar sobreviverá e continuará a ganhar leitores
Mario Vargas Llosa, escritor

O escritor peruano Mario Vargas Llosa, prémio Nobel da Literatura de 2010, mostrou-se "muito incomodado" com a morte de Gabriel García Márquez, mas salientou que as suas obras irão sobreviver no futuro. "Morreu um grande escritor cujas obras deram grande difusão e prestígio à literatura da nossa língua", declarou Vargas Llosa. O autor peruano acrescentou que as obras de García Márquez "sobreviver-lhe-ão e continuarão a ganhar leitores em todos os lugares".

Continuaremos sempre reencontrando-o de livro em livro
José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritor

"É tal a magnitude da obra literária que nos deixou que continuaremos sempre reencontrando-o de livro em livro, das páginas dos seus romances mais aclamados até às que, enquanto jornalista, nos proporcionou e que são também momentos altos da sua escrita".

Uma paixão intensa por processos revolucionários...
Otelo Saraiva de Carvalho, militar e político

"Politicamente foi um homem que sempre teve uma paixão intensa por processos revolucionários que pudessem fazer singrar a humanidade em termos de vida política, de acesso dos trabalhadores ao poder e à participação da vida política ativa do país"

Escrevia o maravilhamento de estar vivo, o prazer de estar vivo, a magia de estar vivo

Maria Teresa Hora, escritora e poetisa

 

A obra de García Marquez, que era um "contador de estórias", estava marcada por "uma magia muito especial". Um ser que escrevia "imediatamente a beleza (...) o maravilhamento de estar vivo, o prazer de estar vivo, a magia de estar vivo. A obra de García Marquez é esse regozijo, é esse fulgor, é essa imediata alegria de viver, e é isso que ele nos passa e foi isso sempre que eu senti na escrita dele".