The Guardian e Washington Post recebem Pulitzer por revelações sobre espionagem

Júri destaca artigos que "ajudaram o público a perceber de que forma as revelações se enquadram na discussão mais abrangente sobre segurança nacional".

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As autoridades norte-americanas acusam os jornalistas de terem posto em risco a segurança nacional Bobby Yip/Reuters

As duas publicações receberam o prémio de Serviço Público, o mais importante dos 14 atribuídos pelos membros do júri referentes ao trabalho desenvolvido por jornalistas.

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As duas publicações receberam o prémio de Serviço Público, o mais importante dos 14 atribuídos pelos membros do júri referentes ao trabalho desenvolvido por jornalistas.

As primeiras revelações sobre os programas de espionagem em larga escala da NSA foram feitas no início de Junho de 2013, em notícias assinadas pelos jornalistas Glenn Greenwald (então ao serviço do The Guardian) e Barton Gellman (The Washington Post). Ao longo do último ano, destacaram-se também a documentarista norte-americana Laura Poitras e Ewen MacAskill, correspondente do The Guardian nos Estados Unidos.

Glenn Greenwald e Laura Poitras (que dirigem actualmente o site The Intercept) e Ewen MacAskill foram os três jornalistas que entrevistaram e filmaram Edward Snowden num hotel em Hong Kong, poucos dias depois das primeiras revelações sobre os programas de espionagem.

O jornalista Barton Gellman foi outro dos jornalistas contactados por Edward Snowden para a divulgação dos documentos, mas nunca trabalhou em colaboração com Greenwald, Poitras ou MacAskill.

Na sexta-feira da semana passada, os quatro jornalistas foram distinguidos com outro prestigiado prémio de jornalismo – os George Polk Awards, atribuídos pela Universidade de Long Island, de Nova Iorque.

Em comunicado, a comissão dos Prémios Pulitzer destaca a contribuição da edição norte-americana do The Guardian e o The Washington Post para "suscitar o debate sobre a relação entre o governo e os cidadãos em assuntos relacionados com a segurança e a privacidade", através de artigos que "ajudaram o público a perceber de que forma as revelações se enquadram na discussão mais abrangente sobre segurança nacional".

Num comunicado publicado no The Guardian, Edward Snowden congratula-se com a atribuição do Pultizer aos dois jornais. "Esta decisão é um reconhecimento para todos os que acreditam que os cidadãos têm um papel na governação. Devemos isso aos esforços dos bravos repórteres e dos seus colegas que continuaram a trabalhar apesar de uma intimidação extraordinária, incluindo a destruição forçada de material jornalístico, o desadequado uso de legislação antiterrorismo, e de tantos outros meios de pressão com o objectivo de os travar num trabalho que o mundo reconhece hoje como sendo de importância pública vital", escreve o analista informático.


Os dois prémios – o George Polk e o Pulitzer – são uma importante mensagem para os dois lados da discussão sobre a legitimidade da divulgação de parte dos documentos obtidos por Edward Snowden. As autoridades norte-americanas e britânicas acusam os jornalistas de terem posto em risco a segurança nacional dos seus países, e mesmo entre os profissionais dos media há quem defenda que Greenwald, Poitras, MacAskill e Gellman não agiram de forma responsável.

O analista informático Edward Snowden fugiu para Hong Kong em finais de Maio de 2013 com milhares de documentos confidenciais sobre os programas de espionagem e vigilância da NSA. Um mês depois chegava à Rússia, onde acabou por receber autorização para permanecer por pelo menos durante um ano.