Em vez da gravata ou da caneta, porque não "dar" um bufo ao pai?

Instituição do Parque Natural da Serra da Estrela que acolhe e recupera animais selvagens lança mais uma campanha de apadrinhamento.

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Manuel Roberto

Esta é a segunda campanha feita para o dia 19 de Março que é dedicado ao Pai. O centro tem tentado inovar nas formas como tenta cativar possíveis candidatos a padrinhos dos animais que tratam. Esta campanha “é um apoio e serve também para a divulgação ao nosso trabalho”, diz ao PÚBLICO o veterinário do CERVAS, Ricardo Brandão.

De momento, têm 35 animais de 15 espécies diferentes em tratamento. Ricardo Brandão explica que “o padrinho é mais um elemento da recuperação porque está a contribuir para que existam meios de ajuda ao animal”. O padrinho pode depois com a família assistir à devolução à natureza do animal afilhado e receberá também por correio um certificado e um postal CERVAS "Dia do Pai".

Ainda nesta quarta-feira, foi libertado um bufo-real no Pocinho, Vila Nova de Foz Côa. A ave tinha sido abatido ilegalmente a tiro pois apresentava uma fractura numa das asas e tinha bagos de chumbo no corpo e foi encontrada no final de 2013 por particulares, que a recolheram e a encaminharam para o CERVAS.

Portanto, o apadrinhamento tem prazo de validade. Quando o afilhado está recuperado, é libertado e o processo termina. “Acabar é um bom sinal para o animal. Significa que este recuperou totalmente”, sublinha o veterinário. Ricardo Brandão frisa também que não existe limite de animais por padrinho. “Pode-se apadrinhar vários simultaneamente ou, quando a espécie é devolvida, caso se queira, apadrinhar outro animal”.

Desde que começaram as campanhas, já houve 400 apadrinhamentos de animais. Para o Dia do Pai deste ano, já conseguiram até agora seis padrinhos. Os valores mínimos doados são de 15 euros, para animais de menor porte como a águia-de-asa-redonda, e 25 euros, para os de maior porte como o bufo-real

O CERVAS, criado em 2006, acolhe por ano cerca de 400 animais. Destes, 60% podem ser devolvidos ao seu habitat. Os outros têm vários destinos. Os que não conseguem viver sozinhos ficam no Parque Natural da Serra da Estrela como "ajudantes" na recuperação de outros bichos da mesma espécie. Outros vão para parques biológicos. E entre 12% a 15% têm lesões permanentes e têm de ser abatidos através da eutanásia.

O CERVAS é uma estrutura do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), actualmente sob a gestão da Associação Aldeia. Localizada em Gouveia, esta instituição acolhe animais selvagens de toda a região centro.