Mortes por pneumonia subiram 25% no espaço de um ano

Relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias mostra estabilização na tuberculose e no cancro do pulmão, mas algum agravamento noutras doenças, a que atribui menos acompanhamento nos centros de saúde.

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Quase 10% dos doentes internados ficam com uma infecção hospitalar Fernando Veludo/Nfactos

Os dados fazem parte do relatório anual do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias, apresentado nesta terça-feira em Lisboa. Ao todo, em 2012, a mortalidade causada pelas doenças do aparelho respiratório cresceu 16,58%. As pneumonias e os cancros do aparelho respiratório são a principal causa de mortalidade, representando 60,29% dos óbitos, com 6795 casos relacionados com pneumonias e 4012 por tumores. O número de internamentos também subiu 10%, sendo as pneumonias a justificação em mais de 60% dos casos, seguidas pela doença pulmonar obstrutiva crónica (12,7%) e pelos cancros (9%).

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Os dados fazem parte do relatório anual do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias, apresentado nesta terça-feira em Lisboa. Ao todo, em 2012, a mortalidade causada pelas doenças do aparelho respiratório cresceu 16,58%. As pneumonias e os cancros do aparelho respiratório são a principal causa de mortalidade, representando 60,29% dos óbitos, com 6795 casos relacionados com pneumonias e 4012 por tumores. O número de internamentos também subiu 10%, sendo as pneumonias a justificação em mais de 60% dos casos, seguidas pela doença pulmonar obstrutiva crónica (12,7%) e pelos cancros (9%).

Intitulado Prevenir a Doença, Acompanhar e Reabilitar o Doente, o relatório dá conta, ainda assim, de alguma estabilidade em termos de tuberculose e de cancro do pulmão. Porém, segundo explicou o presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão, Artur Teles de Araújo, é preciso analisar cuidadosamente esta subida. "Para além do frio e das infecções virais, teremos de estar alertados para o facto de, em épocas de crise e de significativa diminuição do poder de compra, haver uma tendência para o aumento das doenças respiratórias. O desemprego, a pobreza e condições de vida insalubres são, há muito, reconhecidos como factores facilitadores da proliferação das doenças respiratórias. A crise pode estar a potenciar uma deterioração da saúde respiratória em Portugal", admitiu o especialista numa nota.

O médico disse, ainda, que há cada vez mais pessoas internadas por doenças respiratórias, uma subida a que acredita não ser alheia a redução do número de consultas presenciais nos cuidados de saúde primários, acabando as pessoas por chegar aos hospitais através das urgências, já descompensados e em estados mais graves. Os casos de asma e de doença pulmonar obstrutiva crónica também estão a aumentar, atribuindo Artur Teles de Araújo parte do problema à poluição. O médico sugere, por isso, no relatório a criação de uma Rede de Cuidados Respiratórios e de uma Rede de Reabilitação Respiratória que se apoie nas estruturas já existentes.

Ainda em relação à pneumonia, verifica-se que em apenas cinco anos o número de internamentos cresceu 14,1%. Só em 2012 verificou-se um aumento de 6,8%, quando comparado com 2011, num total de 43.275 casos. Quanto à mortalidade, verifica-se um aumento de 32,1% em cinco anos. "Têm de ser investigadas as explicações para esta realidade, a situação torna-se ainda mais preocupante quando verificamos que a pneumonia está a atingir camadas mais jovens", sublinhou Teles de Araújo, ressalvando que, ainda assim, é uma doença das camadas mais velhas da população.

Dobro da média europeia
A taxa de mortalidade por pneumonia em Portugal é, aliás, o dobro da média europeia, segundo um relatório que já tinha sido apresentado em Outubro pela Direcção-Geral da Saúde, que reconhece a necessidade de estudar as causas desta realidade. Os dados de 2010 mostram que a taxa de mortalidade em pneumonia em Portugal era de 24,2 por cem mil habitantes, quando na UE a 27 era de 12,9.

Na altura, Cristina Bárbara, directora do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias, adiantou que os picos de internamento por pneumonia coincidem com a actividade gripal, mas admitiu que não se pode atribuir a elevada mortalidade exclusivamente aos casos de gripe. Segundo a responsável, mais de 70% dos casos de morte por pneumonia ocorrem acima dos 65 anos, o que, em muitas situações, pode significar que a mortalidade pela doença se trata de casos de pneumonia de fim de vida.

Quanto à doença pulmonar obstrutiva crónica, o problema reside também no subdiagnóstico, segundo dados divulgados em Outubro de 2013 pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), que estima que esta doença afecte cerca de 800 mil portugueses mas que só 13% estejam diagnosticados. Muitos doentes só procuram um médico depois de perderem cerca de 50% da capacidade respiratória.

Em Portugal, a mortalidade por doenças respiratórias constitui a terceira principal causa de morte a seguir às doenças cardiovasculares e aos tumores, de acordo com os dados do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias.