Mural gigante, e legal, está a nascer na Rua de Miguel Bombarda

Obra começou a ser pintada com muito atraso e prazo da licença concedida pela Câmara do Porto está quase a terminar. Artistas pedem empréstimo de andaime.

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A licenca emitida pelo anterior executivo da Câmara do Porto está prestes a expirar Bárbara Raquel Moreira

Há um D. Quixote e um Sancho Pança a aparecerem no cruzamento da Rua de Diogo Brandão com a Rua de Miguel Bombarda, no Porto. São enormes (ocupam, segundo os seus promotores, 130 metros quadrados) e não conseguem passar despercebidos, mas também não têm razão para se esconder. Este é o “primeiro mural destas dimensões, legal e de iniciativa cívica”, a ser criado na cidade, anunciam os responsáveis pela obra que tem sofrido verdadeiras dores de crescimento.

O mural é “a última intervenção do RU+A” – um projecto de implementação de arte urbana e participativa no espaço público –, conta com a participação da organização cultural Circus e está a ser desenhado por Mesk, Fedor e Mots. “A ideia inicial não era esta, mas os proprietários da casa não se identificaram muito com ela, por isso mudámos. O meu D. Quixote tem um pincel atrás da orelha e acho que estas personagens cabem em Miguel Bombarda, pelo lado da utopia”, explica Mesk.

A vida deste primeiro mural gigante com licença camarária não está, contudo, a ser fácil. De tal forma que o prazo da licença, emitida ainda pelo executivo de Rui Rio, a 29 de Setembro, está quase a expirar e os responsáveis pela obra já foram, nesta segunda-feira, pedir um alargamento do prazo, para poder concluir o trabalho. O arranque da obra foi, desde logo, adiado porque ninguém no RU+A ou no Circus sabia que, além do licenciamento para pintar o mural, precisavam de uma licença de ocupação da via pública para instalar o andaime que lhes permitiria expandir a pintura por toda a parede do edifício que lhe serve de tela.

“Graças ao apoio da Porto Lazer, o despacho relativo à ocupação da via pública foi emitido no dia 7 de Janeiro”, explica a Circus, num post da sua página no Facebook. Depois, o problema foi com o próprio andaime – o que os artistas tinham não cumpria as medidas exigidas pela autarquia e a obra ficou, de novo emperrada. Só na passada sexta-feira, a nove dias de acabar a licença para a pintura do mural, é que o trabalho pôde avançar, graças ao empréstimo, pelo bar-galeria Plano B, de um andaime com as medidas devidas.

Sem disposição para desistir, os artistas lançaram mãos à obra, mas o andaime não tinha altura suficiente para garantir a concretização total do projecto. Além disso, a chuva voltou em força. Agora, os responsáveis pelo mural esperam por duas coisas: que a câmara lhes conceda o alargamento do prazo da licença; e que alguém se disponibilize a emprestar-lhe um andaime com altura suficiente para acabar o trabalho. Aliás, fazem ainda um terceiro pedido: que venha sol, claro.

Depois, não se sabe. André Carvalho, da Circus, diz que não faz ideia do que acontece ao mural, findo o prazo de licenciamento. “A legislação é recente e esta é uma área cinzenta. Se houver bom senso, à partida, não vão pintar por cima, mas não existe nenhuma entidade reguladora. Pode acontecer que alguém peça uma licença para criar algo exactamente no mesmo sítio”, diz.