Associação José Afonso apoia manifestação de 2 de Março

Associação defende que não quer "um futuro condenado à tristeza" e, por isso, apoia manifestação organizada pelo Que se Lixe a Troika.

José Afonso morreu em 1987, com 58 anos
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Associação José Afonso apoia manifestação organizada pelo movimento Que se Lixe a Troika D.R.

A Associação José Afonso, criada para preservar o legado musical e cívico do autor de Grândola, Vila Morena, anunciou esta sexta-feira que apoia a manifestação Que se Lixe a Troika, convocada para o próximo 2 de Março em várias cidades.

“A Associação José Afonso vem por este meio declarar o seu apoio às iniciativas populares previstas para o próximo dia 2 de Março, sob o lema Que se Lixe a Troika! O Povo é Quem mais Ordena!”, refere um comunicado divulgado por aquela associação, que comemorou 25 anos em 2012.

O movimento Que se Lixe a Troika, que convocou a manifestação de 15 de Setembro do ano passado, vai realizar este novo protesto em várias cidades do país e no estrangeiro, para contestar as medidas de austeridade do Governo.

“Porque não queremos que o presente dos cidadãos seja condicionado à inevitabilidade do sofrimento, porque não queremos um futuro condenado à tristeza, porque defendemos os sonhos contra a morte, porque lutamos pelo direito à vida contra a simples sobrevivência, porque queremos a terra da fraternidade, estaremos na rua no próximo 2 de Março”, pode ler-se na nota.

O tema Grândola, Vila Morena, que José Afonso, mais conhecido por Zeca Afonso, gravou em França em 1971, voltou a ser falado nas últimas semanas. Tudo começou no passado 15 de Fevereiro, dia em que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, foi interrompido quando intervinha no debate quinzenal na Assembleia da República por um grupo de pessoas que entoou a canção, que integra o álbum Cantigas do Maio, lançado em 1971. Três dias depois, foi a vez de ser interrompido, quando discursava no Clube dos Pensadores, no Porto, por protestos de cerca de duas dezenas de pessoas que cantaram Grândola, Vila Morena e exigiram a sua demissão. Entretanto, a canção, que foi uma das senhas da revolução do 25 de Abril de 1974 já foi utilizada em protestos contra o ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, e contra o ministro da Saúde, Paulo Macedo.

A manifestação de 2 de Março foi convocada para cidades portuguesas, como Lisboa, Porto, Aveiro, Caldas da Rainha, Faro, Horta e Guarda, e estrangeiras, como Londres, Reino Unido, e Boston, Estados Unidos da América (EUA).